domingo, 25 de julho de 2010

Mediunidade e Espiritualidade


- Spirituality -


"O melhor médium é o médium espiritualizado"

"Houve um tempo em que o refrão 'o melhor médium é o médium evangelizado', criado pelos espíritas, chegou a ser tomado como lei.

Acontece que, como a mediunidade só era sistematicamente estudada e treinada dentro das casas espíritas, era natural que, para eles, o melhor médium fosse o mais evangelizado, uma vez que o Espiritismo é uma doutrina baseada no Cristianismo, nos ensinamentos deixados por Jesus nos Evangelhos.

O desvio começou quando esse parâmetro tornou-se popularmente difundido, como se o médium que professasse qualquer outra religião ou doutrina, ou que não professasse nenhuma religião ou doutrina, não pudesse ser um bom médium, um médium responsável, um médium voltado para o crescimento espiritual de si próprio e das pessoas com quem convive.

No entanto, mais importante que a crença professada pelo médium, é a forma como entende, exerce e usa sua mediunidade. E nesse aspecto, pouco importa se segue os ensinamentos de Jesus, Buda ou Krishna, pois todos eles, em essência, dizem as mesmas coisas, ensinando que somos todos espíritos, imperfeitos ainda, encarnando e desencarnando sucessivamente, e todos iguais perante o Criador.

Nesse aspecto, importa mais saber como o médium vê o próximo e o que deseja para ele; se usa sua mediunidade, ainda que inconscientemente, para levar o bem a todos, indistintamente; se usa a mediunidade para aprender e crescer; se, mais do que médium, ele entende que é um espírito e, como tal, deve levar sua vida aqui na Terra.

A condição temporária de médium é apenas mais uma tarefa, mais um trabalho a ser cumprido, que não o exonera de todas as outras tarefas comuns a todos os outros seres humanos. Ao contrário, como médium, ou seja, como intermediário entre os homens encarnados e os homens desencarnados, ele deve conhecer bem a natureza humana e, para isso, deve viver bem NO mundo, sem viver PARA o mundo.


'Melhor ser espiritualizado do que ser médium'.

A mediunidade é condição que nos coloca em contato direto com o mundo espiritual, o mundo de onde viemos e para onde voltaremos quando esta vida terminar, mas, sendo neutra em si mesma, da mesma forma que nos dá a possibilidade do contato com seres elevados, também pode nos colocar em contato com seres desequilibrados e perturbados. O que determina a qualidade dos contatos a serem feitos por seu intermédio é a intenção do contato e, principalmente, o nível espiritual de quem a possui e exerce.

Quanto mais espiritualizado for o médium, no sentido de ter consciência de sua condição de espírito em experiência na carne, aprendendo e corrigindo-se para crescer, mais elevados serão seus contatos e mais positivos os frutos desses contatos, mesmo quando manifestando entidades desequilibradas, desorientadas e perturbadas, pois estarão sempre voltados para a espiritualização da humanidade como um todo.

De nada adianta ser médium sem essa consciência, pois não estamos aqui para sermos apenas bons médiuns, mas para sermos espíritos melhores, mais éticos e amorosos, e a mediunidade é apenas mais um recurso que Deus nos proporciona para termos sucesso nessa empreitada.

O médium que não procura crescer como espírito, que não busca o aperfeiçoamento de si mesmo em bondade, discernimento, amor, fé e serenidade, que não procura levar às outras pessoas a idéia de que não somos este corpo físico, de que a nossa essência é muito mais sutil, mais nobre e muito mais importante que ele, é mero alto-falante, que apenas repete o que lhe dizem os espíritos, sem se importar com o nível desses espíritos, sem se preocupar se o que dizem é bom ou ruim, sem se importar com o efeito do que é dito nas outras pessoas e no mundo à sua volta.

É o que diz Ramatis, no livro Mediunismo, quando afirma que “não basta ver, ouvir e sentir espíritos em seu plano invisível, pois o médium, em qualquer hipótese, deve ser o homem que, além de contribuir para a divulgação da imortalidade do espírito na Terra, é cidadão comprometido com os deveres comuns junto à coletividade encarnada, onde só a bondade, o amor, o afeto, a renúncia e o perdão incessante podem livrá-lo das algemas do astral inferior.”

Por isso destacamos a frase acima, pois é melhor ser espiritualizado, sem ser médium, do que ser médium, sem ser espiritualizado, já que é muito mais importante para nós evoluirmos como espíritos, independentemente de sermos médiuns ou não.

De nada adianta sermos ótimos médiuns, vendo espíritos, conversando com eles, escrevendo e falando o que eles pensam, se não formos capazes de aprender com isso, se não formos capazes de buscar e levar luz neste contato, se não formos capazes de tornar o mundo à nossa volta melhor com esse intercâmbio.

O contato com o mundo dos espíritos, por si só, não atribui a nenhum médium qualidades morais que ele não tenha em si, que ele mesmo não tenha conquistado como consciência, que ele mesmo não possua, como herança de seus próprios esforços ao longo de sua vida espiritual.

Ninguém se torna digno de confiança e respeito apenas por ser médium.

E o médium só será considerado digno de confiança e respeito quando já o for como indivíduo".



Obs.: Os grifos, no texto, são meus.

Autoria: Maísa Intelisano
http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_
content&view=article&id=4500&catid=53&Itemid=87


Imagem:
successfulperspectives.com/index.php?p=1_18_S...


terça-feira, 20 de julho de 2010

Aulas Gratuitas de Tai Chi Chuan - Venha Participar!



Informativo:

Haverá aulas de Tai Chi Chuan, aos sábados, em nossa Clínica CEDRUS.
As 4 primeiras aulas serão gratuitas.

Início: 24/07/2010
Horário: 14:30-16:00

Serão ministradas por Fernando: Professor de Tai Chi Chuan, Psicólogo e Filósofo.

A inscrição poderá ser feita através deste blog, pelos meus e-mails, ou pelos fones
(constados na coluna da direita do blog).
Deixe seu nome e fone de contato, por gentileza.

Teremos imenso prazer em recebê-lo(a)!


Adelia Ester M. Zimeo


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O Tai Chi Chuan é uma arte milenar de origem oriental, com um sistema de práticas que beneficiam as pessoas num todo, equilibrando tanto a mente quanto o corpo.As práticas de Meditação (Serenidade) e o Tai Chi Chuan são técnicas específicas para a obtenção de estados mentais tranqüilos, que podem ajudar na prevenção e na cura de doenças.

O Tai Chi Chuan integra o corpo e a mente, a respiração e o movimento, as mãos e os pés. O corpo inteiro se torna integrado e move-se como um todo. A mente (Yi) é usada para dirigir a energia (Chi) e movimenta os membros do corpo. O movimento impulsiona o sangue através do sistema, ajudando no funcionamento adequado dos órgãos internos.

O Tai Chi Chuan é composto de movimentos abertos, redondos e relaxados, designados a estabilizar o equilíbrio das forças vitais do organismo (a união entre as forças vitais Yin e Yang). Isto ajuda todo o corpo a executar suas funções de maneira eficiente, sem a intervenção do trabalho de cada órgão.

Através destes movimentos suaves, aprendemos o segredo da "imunidade contra doenças degenerativas".

Com o conhecimento de como exercitar-se corretamente e com determinação a disciplinar-se consistentemente, adquirimos a saúde natural.

A prática do Tai Chi Chuan ocasiona um impacto no Sistema Nervoso Central e constrói uma fina base para o melhoramento dos outros nove sistemas orgânicos do corpo: sistema esquelético, sistema muscular, sistema circulatório, sistema linfático, sistema excretor, sistema endócrino, sistema nervoso, sistema digestivo e órgãos sensoriais.


Alguns benefícios da prática constante do Tai Chi Chuan:

- aumento da vitalidade, dando mais energia e disposição;
- fortalecimento do sistema nervoso;
- aumento da atenção e concentração mental;
- desenvolvimento pleno do potencial mental e espiritual;
- equilíbrio total de todos os sistemas orgânicos do corpo;
- conquista da serenidade e o equilíbrio das emoções;
- auxilia na prevenção e redução do estresse e a sobrecarga mental;
- aumento da flexibilidade, proporcionando um relaxamento muscular em todo o corpo;
- fortalecimento do sistema imunológico ajudando na prevenção de doenças;
- superação dos medos e limites.

Veja algumas pesquisas comprovadas sobre os benefícios do Tai Chi Chuan.




Fonte:
http://www.taichichuan.com.br/index.php?pagina=benefic

Imagem: Internet


segunda-feira, 12 de julho de 2010

Estrelas...

- Holding Stars in Sky -


"Você traz consigo estrelas que a vida concede.

Estrelas de brilhar, estrelas de crescer, estrelas de encontrar o caminho do sonho que se persegue.

Saber reconhecer as estrelas é o nosso destino.

Porque há quem se encante com o brilho de estrelas que não são suas e se perde.

Há quem deseje o brilho de outra mais distante e por isso passe quase todo o tempo como passageiro, a espera de um trem para lugar nenhum.

Aceitar as estrelas que trazemos é o que faz a diferença entre o que queremos ser e o que verdadeiramente somos.

Brilhar é acreditar na força que elas têm.

E aí então, deixar que suas luzes se derramem alma a dentro.

Que carregar as estrelas seja como conduzir um candeeiro para que, onde quer que se vá, possam todos perceber a claridade".




Texto enviado por: Jorge


Imagem:
http://media.photobucket.com/image/holding%20stars%20in%20sky/
Brenda_2009__/fantasygirlmoon.jpg



Pacto Com Si Mesma



"Ao contrário do que as pessoas costumam pensar, harmonia interior não é ausência de conflito, e sim saber lidar com eles, sem se deixar dominar.

Nossa existência é dinâmica e marcada por transformações. Por isso, não podemos temer as mudanças e as crises.

Claro que a capacidade de tolerar dificuldades varia de acordo com as etapas da vida. À medida que o indivíduo intensifica o autoconhecimento, essa tarefa vai se tornando menos complicada.

Vale lembrar que a terapia não é o único caminho para se conhecer.

Bons amigos e experiências emocionais, como aquelas proporcionadas pela literatura e pelo cinema, fazem toda a diferença.

O que não podemos é fechar os olhos para a desarmonia. Fugir não resolve a questão, pois as emoções não evaporam. Pelo contrário, sempre procuram um canal de expressão.


Portanto, precisamos estar atentas a três atitudes que, em geral, trazem insatisfação.

A primeira é dar atenção demasiada às coisas não realizadas. Essa postura empobrece a vida que temos hoje. Ora, se você fez escolhas, aposte todas as fichas nelas e não perca energia fantasiando acerca das opções descartadas.

Igualmente prejudicial é a busca por aceitação. Em nome dela, as pessoas costumam abandonar seus próprios valores e desejos para adotar referenciais alheios.

Por fim, não podemos nos esquecer de nos indagar periodicamente se os planos de ontem ainda fazem sentido hoje. Com esses cuidados, podemos alcançar momentos de harmonia, traduzidos em uma atitude de abertura para o novo, com a consciência plena de que a vida vale a pena".




Autoria: Lidia Aratangy

Imagem:

http://www.murrellcustomcues.org/LauraMDesigns


sábado, 10 de julho de 2010

SELO: PRÊMIO BLOG DE OURO



Repasso com carinho esse selo que ganhei do Blog:
http://nectantaurus.blogspot.com

Este blog é de, meu tão querido amigo, Jorge.
Um ser muito especial, pelo qual nutro respeito, admiração e carinho.

Vale a pena visitar seu blog!
Ele nos presenteia com mensagens e textos que
contribuem para reflexões muito importantes em relação à Vida.

Grata pelo selo maravilhoso!

Regras:
1- Colocar a imagem do selo no seu blog.
2- Indicar o link do blog que nos indicou.
3- Indicar 10 blogs ou mais, para receber o selo.
4- Comentar nos Blogs dos indicados sobre este selo.

Com muito carinho!


Eis a lista de blogs:

- http://bliss1000.blogspot.com/
-
http://semfronteirasparaosagrado.blogspot.com/
-
http://reikisahashara.blog.uol.com.br/
-
http://conscienciaevida.blogspot.com/
-
http://arcadoconhecimento.blogspot.com/
-
http://transmimentos.blogspot.com/
-
http://saberdesi.blogspot.com/
-
http://padmashanti.blogspot.com/
-
http://venturaana.blogspot.com/
- http://viralatamigo.blogspot.com/

domingo, 13 de junho de 2010

Sob O Fluxo Eterno...


- Victoria Amazônica -



"A vida sempre me pareceu como uma planta que vive em seu rizoma.

Sua vida verdadeira é invisível, escondida no rizoma.

A parte que aparece por sobre o solo dura apenas um simples verão.

E então ela definha - uma aparição efêmera.

Quando pensamos no infinito crescimento e declínio da vida e civilizações,
não podemos escapar da impressão de nulidade absoluta.

Apesar disso, eu nunca perdi a impressão de que há algo que vive e
permanece por sob o fluxo eterno.

O que vemos é o que floresce, e isso passa.

O rizoma continua".





Autor: Carl Gustav Jung
Livro: Memories, Dreams, Reflections


Imagem:
plantasonya.blogspot.com/2009/06/vitoria-regi...


quarta-feira, 9 de junho de 2010

"A GAROTA COM AS MAÇÃS" --- História Verídica (Holocausto)





Agosto de 1942 - Piotrkow, Polônia.


Naquela manhã, o céu estava sombrio, enquanto esperávamos ansiosamente.
Todos os homens, mulheres e crianças do gueto judeu de Piotrkow tinham sido levados até uma praça.
Espalhou-se a notícia de que estávamos sendo removidos. Meu pai havia falecido recentemente de tifo, que se alastrara através do gueto abarrotado.

Meu maior medo era de que nossa família fosse separada.
"O que quer que aconteça," Isidore, meu irmão mais velho, murmurou para mim,
"não lhes diga a sua idade. Diga que tem dezesseis anos".

Eu era bem alto, para um menino de 11 anos, e assim poderia ser confundido como tal.
Desse jeito eu poderia ser considerado valioso como um trabalhador.
Um homem da SS aproximou-se, botas estalando nas pedras grosseiras do piso.
Olhou-me de cima a baixo, e, então, perguntou minha idade.
"Dezesseis", eu disse.

Ele mandou-me ir à esquerda, onde já estavam meus três irmãos e outros jovens saudáveis.
Minha mãe foi encaminhada para a direita com outras mulheres, crianças, doentes e velhos.
Murmurei para Isidore, "Por quê?"
Ele não respondeu. Corri para o lado da mãe e disse que queria ficar com ela.
"Não," ela disse com firmeza. "Vá embora. Não aborreça. Vá com seus irmãos".

Ela nunca havia falado tão asperamente antes. Mas eu entendi: ela estava me protegendo.
Ela me amava tanto que, apenas esta única vez, ela fingiu não fazê-lo. Foi a última vez que a vi.

Meus irmãos e eu fomos transportados em um vagão de gado até a Alemanha.
Chegamos ao campo de concentração de Buchenwald em uma noite, semanas após,
e fomos conduzidos a uma barraca lotada.

No dia seguinte, recebemos uniformes e números de identificação.
"Não me chamem mais de Herman", eu disse aos meus irmãos. "Chamem-me 94938".

Colocaram-me para trabalhar no crematório do campo, carregando os mortos em um elevador manual.
Eu, também, me sentia como morto. Insensibilizado, eu me tornara um número. Logo, meus irmãos e eu fomos mandados para Schlieben, um dos sub-campos de Buchenwald, perto de Berlim.

Em uma manhã, eu pensei ter ouvido a voz de minha mãe.
"Filho" ela disse suave, mas claramente, "Vou mandar-lhe um anjo".
Então eu acordei. Apenas um sonho. Um lindo sonho.

Mas nesse lugar não poderia haver anjos. Havia apenas trabalho. E fome. E medo.
Poucos dias depois, estava caminhando pelo campo, pelas barracas, perto da cerca de arame farpado, onde os guardas não podiam enxergar facilmente. Estava sozinho. Do outro lado da cerca,
eu observei alguém: uma pequena menina com suaves, quase luminosos cachinhos.
Ela estava meio escondida atrás de uma bétula. Dei uma olhada em volta, para certificar-me de que ninguém estava me vendo. Chamei-a suavemente em Alemão. "Você tem algo para comer?"
Ela não entendeu. Aproximei-me mais da cerca e repeti a pergunta em Polonês.
Ela se aproximou. Eu estava magro e raquítico, com farrapos envolvendo meus pés,
mas a menina parecia não ter medo. Em seus olhos eu vi vida.
Ela sacou uma maçã do seu casaco de lã e a jogou pela cerca.
Agarrei a fruta e, assim que comecei a fugir, ouvi-a dizer debilmente, "Virei vê-lo amanhã".
Voltei para o mesmo local, na cerca, na mesma hora, todos os dias. Ela estava sempre lá, com algo para eu comer - um naco de pão ou, melhor ainda, uma maçã.
Nós não ousávamos falar ou demorarmos. Sermos pegos significaria morte para nós dois.
Não sabia nada sobre ela. Apenas um tipo de menina de fazenda, e que entendia Polonês.

Qual era o seu nome? Por que ela estava arriscando sua vida por mim?
A esperança estava naquele pequeno suprimento, e essa menina, do outro lado da cerca,
trouxe-me um pouco, como que me nutrindo dessa forma, tal como o pão e as maçãs.

Cerca de sete meses depois, meus irmãos e eu fomos colocados em um abarrotado vagão de carvão e enviados para o campo de Theresiensatdt, na Tchecoeslováquia.
"Não volte", eu disse para a menina naquele dia. "Estamos partindo".
Voltei-me em direção às barracas e não olhei para trás, nem mesmo disse adeus
para a pequena menina, cujo nome eu nunca aprendi - menina das maçãs.
Permanecemos em Theresienstadt por três meses.

A guerra estava diminuindo e as forças aliadas se aproximando, muito embora meu destino parecesse estar selado. No dia 10 de maio de 1945, eu estava escalado para morrer na câmara de gás, às 10:00 horas. No silencioso crepúsculo, tentei me preparar. Tantas vezes a morte pareceu pronta para me achar, mas de alguma forma eu havia sobrevivido. Agora, tudo estava acabado.
Pensei nos meus pais. Ao menos, nós estaremos nos reunindo.

Mas, às 08:00 horas ocorreu uma comoção.
Ouvi gritos, e vi pessoas correndo em todas as direções através do campo.
Juntei-me aos meus irmãos.
Tropas russas haviam liberado o campo! Os portões foram abertos.
Todos estavam correndo, então eu corri também.
Surpreendentemente, todos os meus irmãos haviam sobrevivido.
Não tenho certeza como, mas sabia que aquela menina com as maçãs tinha sido a chave da minha sobrevivência. Quando o mal parecia triunfante, a bondade de uma pessoa salvara a minha vida,
me dera esperança em um lugar onde ela não existia.

Minha mãe havia prometido enviar-me um anjo, e o anjo apareceu.
Eventualmente, encaminhei-me à Inglaterra, onde fui assistido pela Caridade Judaica.
Fui colocado em um abrigo com outros meninos que sobreviveram ao Holocausto e treinado em Eletrônica. Depois fui para os Estados Unidos, para onde meu irmão Sam já havia se mudado.
Servi no Exército durante a Guerra da Coréia, e retornei a Nova Iorque, após dois anos.
Por volta de agosto de 1957, abri minha própria loja de consertos eletrônicos.
Estava começando a estabelecer-me.

Um dia, meu amigo Sid, que eu conhecia da Inglaterra, me telefonou.
"Tenho um encontro. Ela tem uma amiga polonesa. Vamos sair juntos!".
Um encontro às cegas? Não, isso não era para mim!

Mas Sid continuou insistindo e, poucos dias depois, nos dirigimos ao Bronx para buscar a pessoa
com quem marcara encontro e a sua amiga Roma. Tenho que admitir: para um encontro às cegas, não foi tão ruim. Roma era enfermeira em um hospital do Bronx. Era gentil e esperta. Bonita, também, com cabelos castanhos cacheados e olhos verdes amendoados que faiscavam com vida.

Nós quatro fomos até Coney Island. Roma era uma pessoa com quem era fácil falar e ótima companhia. Descobri que ela era igualmente cautelosa com encontros às cegas.
Nós dois estávamos apenas fazendo um favor aos nossos amigos. Demos um passeio na beira da praia, gozando a brisa salgada do Atlântico e depois jantamos perto da margem. Não poderia me lembrar de ter tido momentos melhores.

Voltamos ao carro do Sid, com Roma e eu dividindo o assento trazeiro.
Como judeus europeus que haviam sobrevivido à guerra, sabíamos que muita coisa deixou de ser dita entre nós. Ela puxou o assunto, perguntando delicadamente:
"Onde você estava durante a guerra?"
"Nos campos de concentração", eu disse.

As terríveis memórias ainda vívidas, a irreparável perda. Tentei esquecer.
Mas jamais se pode esquecer.
Ela concordou, dizendo: "Minha família se escondeu em uma fazenda na Alemanha,
não longe de Berlim . Meu pai conhecia um padre, e ele nos deu papéis arianos."
Imaginei como ela deve ter sofrido também, tendo o medo como constante companhia.

Mesmo assim, aqui estávamos, ambos sobreviventes, em um mundo novo.
"Havia um campo perto da fazenda", Roma continuou.
"Eu via um menino lá e lhe jogava maçãs todos os dias."
Que extraordinária coincidência, que ela tivesse ajudado algum outro menino.
"Como ele era?", perguntei.
"Ele era alto, magro e faminto. Devo tê-lo visto todos os dias, durante seis meses."
Meu coração estava aos pulos! Não podia acreditar! Isso não podia ser!
"Ele lhe disse, um dia, para você não voltar, por que ele estava indo embora de Schlieben?".
Roma me olhou estupefata. "Sim!".
"Era eu!".

Eu estava para explodir de alegria e susto, inundado de emoções.
Não podia acreditar! Meu anjo!
"Não vou deixar você partir", disse a Roma.
E, na trazeira do carro, nesse encontro às cegas, pedi-a em casamento. Não queria esperar.
"Você está louco!", ela disse.
Mas convidou-me para conhecer seus pais no jantar do Shabbat da semana seguinte.
Havia tanto que eu ansiava descobrir sobre Roma, mas as coisas mais importantes eu sempre soube: sua firmeza, sua bondade. Por muitos meses, nas piores circunstâncias, ela veio até a cerca
e me trouxe esperança. Não que eu a tivesse encontrado de novo, eu jamais a havia deixado partir.

Naquele dia, ela disse sim. E eu mantive a minha palavra.
Após quase 50 anos de casamento, dois filhos e três netos, eu jamais a deixara partir.”
Herman Rosenblat - Miami Beach, Florida


***

Esta é uma história verdadeira e você pode descobrir mais sobre ele no Google.
Ele fez Bar-Mitzvah com a idade de 75 anos.
Esta história está sendo transformada em filme, chamado "A cerca".




Texto e Imagens enviados por: Ana Lilian Ventura