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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Que Cântico é Este?



"Que Cântico é este, que nos inspira milênios afora, desertos adentro?


Que Cântico é este, que faz transbordar corações abertos e mentes altaneiras?

Que Cântico é este, de magia pura, que jamais se esgota, que jamais se cansa?

Que Cântico é este, de mistérios tantos, que é sempre o mesmo, que é sempre outro?

Que Cântico é este, fatal e terno, tão distante e próximo?

Que Cântico é este, trovejante e doce, que nos condena a nos tornar plenamente humanos?

... Por certo, é o Cântico do Amor."



Autoria: Roberto Crema
www.robertocrema.net

Imagem:

ipod.z.gp



quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Atritos



Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso.

É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.
Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato.

Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, é não evoluir, é não se transformar. É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando- me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado.
Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas.Faz parte…

Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise. Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheios de excessos.

Os seres de grande valor, percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores…

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor…

Pois, Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor.

Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar… Mas temos que aprender como.
Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar.

Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado, faz parte da construção do aprendizado do amor. Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e… os superando.

Ora, esses sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento… E envolvimento gera atrito. Minha palavra final: ATRITE-SE!

Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.




Autoria: Roberto Crema

Imagem: Internet


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

"Ser Terapeuta" --- Amigos Evolutivos


- Dancing With All Mandala -



"Uma unidade de encontro, em psicoterapia, além do imago constituída das fantasias mútuas acerca do outro que preexistem ao encontro pessoal, inicia com o primeiro olhar, o ‘olá!’, estende-se no tempo-espaço do estar juntos num contexto interativo, de forma ativa e/ou receptiva, encerrando com o último olhar, o ‘até breve!’ ou ‘adeus!’. É sempre inusitada, quando estamos em boa saúde psíquica, no aqui-e-agora renovador e transtemporal. Aqui o outro jamais é mal-tratado como ‘paciente’ ou ‘cliente’. O encontro não é unilateral e, muitas menos, um negócio; é uma possibilidade palpitante e hesitante, uma delicada probabilidade. Não há seguro; não se pode forçar, economizar ou apressar o encontro. Podemos apenas estar disponíveis, abertos, à escuta. O outro, aqui, é considerado um sujeito na mutualidade, um elo na reciprocidade de uma amizade evolutiva, centrada no processo de cura e de individuação. O pacto é de acompanhamento, numa caminhada em direção a Si Mesmo. É enlaçar a mão do outro, simbolicamente, numa atitude de confiança e respeito que anuncia: Você não está sozinho; vá em direção a você mesmo e eu estarei ao seu lado. Oriente o seu coração para aprender, para conhecer-se e tornar-se o que é, e eu estarei ao seu lado.

Amigo evolutivo, amiga evolutiva, é como denomino as pessoas a quem acompanho, como psicoterapeuta, inspirado no Cosmodrama IV de Pierre Weill, que focaliza o tema das relações evolutivas. Cada unidade de encontro é um artesanato psíquico, uma viagem singular, uma totalidade dialógica única e intransferível. Somos hóspedes na Festa do Encontro, que nos ultrapassa e transmuta.

Necessitei muitos anos nesta jornada para dar-me conta de que cada amigo evolutivo que bate à minha porta é um pedacinho da minha própria alma que necessito escutar, compreender e integrar. Cada pessoa significativa na existência, incluindo-se os inimigos, são pedaços perdidos de nossas almas, à espera de uma escuta e de um reencontro integrador. Assim sendo, os encontros nos devolvem parcelas perdidas de nossa alma comum. Gradativamente, nesta aventura alquímica humana, a alma se amplia. Então, como diz o poeta Pessoa, tudo vale a pena, pois a alma não é pequena.

Nesta abordagem de respeito ao todo humano, o outro jamais é rotulado, amaldiçoado, reduzido a um rótulo patológico. A pessoa é mais vasta que os seus problemas e sintomas. Ninguém é doente; podemos estar doentes. A doença é passagem; é devir. Etmologicamente, a palavra inferno significa estar fechado. Como afirma o rabino Niton Bonder, o oposto da inveja, esta vivência infernal, é farguinen, um verbo da língua ídiche, que pode ser traduzido como abrir espaço. Quando abrimos espaço, o outro pode ser quem é, com seu brilho e a sua sombra. Um catecismo rígido, seja religioso ou psiquiátrico, com interpretações estreitas e reducionistas, pode ser um desastroso fator patogênico.

Enclausurar a pessoa nos limites de sua patologia, na estreiteza interpretativa de um rótulo, pode ser iatrogênico, pois a informação tem uma função estruturante. As informações recebidas na primeira infância, por exemplo, são decisivas na estruturação da personalidade, bem o sabemos. O que falamos para o outro tem força de modelagem, que pode aprisionar ou libertar, amaldiçoar ou abençoar"....

(...)

A psique irradia e contagia. Assim como nos contagiamos com o vírus de uma doença infecciosa. Assim como nos contagiamos com os vírus de uma doença infecciosa, igualmente estamos expostos ao contágio invisível dos ‘vírus psíquicos’, mentais e emocionais, no âmbito de nossa ecologia interior. Um terapeuta que atua conscientemente como analista e sintetista, precisa submeter-se a uma rigorosa e disciplinada higiene global, do corpo-psique-pneuma. Precisa aprender a nutrir-se por inteiro, para ser fonte de nutrição da inteireza dos que o procuram. Considero a meditação um nutriente imprescindível, juntamente com os demais cuidados já mencionados, prescritos pelos Terapeutas de Alexandria.



Autoria: Roberto Crema
Livro: Saúde e Plenitude
http://mulherzen.spaces.live.com/blog/cns!718B226FA43E41DC!277.entry?sa=922315229

Imagem:
www.janwestart.com/Mandalas.aspx


Obs.:

Os grifos, no texto, são meus.