- Don't Be Afraid -
Outra maneira que alguns de nós têm de lidar com as atiradeiras e flechas que ameaçam nosso frágil ego é construir uma defesa de Galinha Assustada. Na história infantil, a Galinha assustada estava passeando quando uma bolota caiu em sua cabeça. Seu medo transformou a bolota num pedaço do céu, e ela correu para dentro de uma caverna gritando: "O céu está caindo! O céu está caindo!"
Esse é o padrão para fugir da vida e nos protegermos contra a rejeição e a incerteza numa caverna de segurança na qual nos escondemos. Quando usamos a máscara da Galinha Medrosa, acreditamos que o céu está sempre para cair. Albert Einstein disse que a questão mais importante era se o universo era amigável. A Galinha Medrosa responde com um inequívoco não. Ela se esconde com medo e evita as situações que apresentam risco - interior ou exterior. É óbvio que há momentos em que é melhor não arriscar. Mas ela é a parte de nós que ousa muito pouco, especialmente por dentro.
A Galinha Medrosa, como todos os outros falsos eus, foi ferida de alguma forma e criou este padrão como uma maneira de lidar com sua dor e proteger-se. Talvez ela tenha sido superprotegida; talvez tenha tido experiências que a ensinaram que não se pode confiar na vida. A Galinha Medrosa, com seus padrões egocêntricos, é semelhante ao que Fritz Kunkel chamou de "tartaruga": é a pessoa que, acreditando que suas necessidades estão sendo negligenciadas e que a vida só traz desapontamentos, limita-se e enterra-se numa casca de onde espia a vida.
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De vez em quando, na procura por seu Eu Verdadeiro, você tem que encontrar coragem para entrar no absurdo. Kierkegaard observou que a coragem não é ausência do desespero ou do medo, mas a capacidade de seguir em frente apesar deles. A tarefa da Galinha Medrosa é seguir em frente apesar de seus medos, confirmando que o mundo é um lugar amoroso, belo e seguro... A Galinha Medrosa precisa confiar que o céu não é assim tão precário e deixar que a bolota seja apenas uma bolota.
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Ao nomear os muitos padrões dos nossos falsos eus, é exatamente isto o que precisamos fazer: debruçarmo-nos sobre as faces partidas e horríveis presentes em nós e beijar cada uma delas.
Esse é o ato necessário. Pois é nesses atos ternos, mas poderosos, de autocomunhão, que abrimos caminho para que a verdadeira semente rompa a escuridão. Apenas enfrentando e abraçando os falsos eus é que podemos libertar o Eu Verdadeiro.
Autoria: Sue Monk Kidd
Livro: Quando O Coração Amanhece
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