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domingo, 27 de maio de 2012

A fila anda --- Os tempos do abuso sentimental acabaram



"...a expressão se banalizou. Toda mundo fala e todo mundo escreve. Só nos últimos dias, deparei com “a fila anda” na capa de uma revista e numa propaganda de perfume. A metáfora pegou e parece que vai ficar no nosso vocabulário e no nosso comportamento: as filas andam mesmo, de forma cada vez mais rápida. Ninguém quer ficar parado. 
Antes de continuar, uma confissão: eu tenho dificuldade com esse tipo de andamento. Para mim a fila anda bem devagarzinho, quando anda. Às vezes fica parada por muitos anos, e é bom assim. Dá tempo de conversar, relaxar, ser feliz. Ficar sozinho, sem fila nenhuma, é meio aflitivo, mas acontece – e de vez em quando é necessário. Se você corre de uma fila para outra, ou fica preocupado em manter cheia a sua fila, acaba entediado ou perdido ou meio desesperado. Para mim não serve.

Apesar disso, reconheço virtudes na ideia de que a fila anda.
A primeira é lembrar a mim, a você e a todo mundo que os tempos do abuso sentimental acabaram. Se você não tratar as pessoas direito, elas irão embora. É simples assim. Todos têm opções e contam com o amparo das leis e dos costumes para procurar o melhor para si mesmo. A oferta afetiva é enorme. Em toda parte há gente disponível e atraente, de todos os tipos e de todas as idades. Saber que a fila anda ajuda a prestar atenção na pessoa ao nosso lado. Quem gosta cuida, diz o clichê. Mais do que nunca ele está certo. 

Outra coisa positiva na expressão “a fila anda” é que ela nos põe de frente com um aspecto inevitável da realidade: a transitoriedade de boa parte das relações. A depender da nossa idade ou do meio em que a gente vive, a fila vai andar mesmo, o tempo todo, goste-se ou não. Faz parte. Quando a gente é adolescente, acha que o primeiro amor vai durar a vida toda. Não dura. O mesmo acontece na juventude. A gente se apaixona, se desapaixona, dispensa, é dispensado, sofre, faz sofrer. A fila anda da mesma forma que a vida anda – até que algo importante a faça parar. O que há de errado nisso? Nada. 

Mas há na nossa cultura sentimental um componente masoquista que não combina com a simplicidade da fila que anda. Temos a expectativa equivocada de que todas as emoções serão eternas. Quando as coisas acabam, nos despedaçamos. Em vez de olhar para frente e tentar recomeçar, nos achamos no direito de empacar, insistir, implorar, perseguir.

Temos a vocação do melodrama. A dor inevitável das rupturas é ampliada pela sensação de injustiça. Nos achamos vítimas do outro, e há um prazer medonho em sentir-se assim.
Tem gente que acha isso natural, eu acho que é aprendido. Acho que de alguma forma dizemos para as nossas crianças que amor é para sempre e que o fim de uma paixão equivale ao fim do mundo. As músicas dizem isso, as novelas sugerem isso. Há uma indústria cultural gigantesca que se alimenta da dor de cotovelo e da sensação de abandono. A troca de parceiros e a experimentação da juventude, que poderiam ser celebradas como bons momentos da vida, viram uma preparação angustiada para o compromisso, a busca apressada do verdadeiro amor, um breve período de promiscuidade que antecede a escolha definitiva.

Por trás da nossa atitude descolada, há expectativas que não são modernas nem liberais. Por isso nos apegamos a quem nos tiraniza (“ele me ama”) e desabamos quando a fila anda. Por isso queremos morrer. É claro que eu estou exagerando, mas não muito.
Nossa breguice sentimental, que é o oposto da “fila anda”, leva a situações esdrúxulas. Outro dia presenciei um amigo de 26 anos consolando um cara da idade dele que falava em se matar por ter sido deixado pela namorada... Onde ele aprendeu esse tipo de comportamento?

As pessoas não falam em se matar quando são reprovadas no vestibular ou demitidas de um emprego bacana, como acontece no Japão. Mas acham natural pensar essas bobagens depois de um pé na bunda. É isso que eu chamo de breguice - e não tem o menor cabimento.

Quando se considera isso tudo, não acho tão ruim dizer que “a fila anda”. A expressão pode denotar frieza e desrespeito pelos outros. Pode ser sinônimo de uma atitude egoísta e utilitária. Mas pode, também, sinalizar uma percepção saudável e corajosa das relações humanas. A fila anda, a gente avança, lá na frente descobre coisas melhores. Sempre de cabeça erguida. Melhor do que ficar choramingando, né?"


Autoria: Ivan Martins
Fonte:http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/ivan-martins/noticia/2012/05/fila-anda.html

Texto enviado por:  Rosani Gomes

Imagem:
parkviewalliance.com 



sexta-feira, 25 de maio de 2012

Respeite Seu Filho --- A Auto-Estima




"Para uma criança, apenas ser amado não basta. Este é um ponto de partida para que ela tenha uma visão positiva de si mesma. Que ela se sinta como uma pessoa importante, boa, competente e querida. Alguém com quem os adultos se importam, alguém que faz diferença no mundo. Uma pessoa que tem méritos e qualidades que são reconhecidas pelos demais.

 Este é o sentimento a que denominamos “auto-estima”.  Ter uma boa e forte auto-estima é uma das grandes chaves para uma criança crescer como um bom ser humano. Seja ele jovem, adulto ou velho.
 O amor é a principal ferramenta que usamos para construir a auto-estima. Esta por sua vez constitui o alicerce de uma personalidade boa e estruturada.

 E como fazer para dar uma boa auto-estima a uma criança?

Primeiro, tomando muito cuidado com as críticas, que por vezes acabam humilhando a criança. Como elas estão aprendendo e se desenvolvendo, é natural que tenham dificuldades para realizar muitas tarefas. A crítica, quando cabível, deve ser feita com tato e sensibilidade.

O outro aspecto é ressaltar o lado positivo, fazendo elogios sinceros e verdadeiros. Sempre dizendo à criança o quanto ela é bonita, e capaz de fazer muitas coisas.

Um exemplo: se ao se alimentar, por acidente, uma criança derruba um copo cheio, por mais irritação que isso possa causar, controle-se, e nunca diga “você é mesmo um desastrado!”. Melhor dizer, com calma, “tudo bem, você já sabe muitas coisas, e está aprendendo a se servir,
não se preocupe, vamos limpar isto.”

Os rótulos negativos “grudam” nas crianças com muita força, e eles próprios tem dificuldades mais tarde para se desfazerem deles. Portanto, nada de “você é mesmo um preguiçoso” ou “um mentiroso”, etc. Mostre por que é necessário que se realize as tarefas ou que se diga a verdade, sem recorrer à crítica que rotula e humilha.

Quando der uma tarefa para uma criança, esteja certo de que ela é capaz de realizá-la. Ela se sentirá muito orgulhosa ao cumpri-la direito. Mas se for algo que ultrapassa sua capacidade, esteja pronto para ajudar e estimular, para que ela consiga superar a barreira. Mas não a faça no lugar dele.

Além de serem amadas, as pessoas querem ser reconhecidas como capazes, úteis e importantes.






quinta-feira, 24 de maio de 2012

Os Quatro Erros Mais Comuns No Relacionamento


"Muitas pessoas não entendem porque ocorrem alguns problemas em seus relacionamentos e se sentem frustradas, achando que a culpa do término ou das brigas sem fim é dela. Outras pessoas, se sentem menos amadas ou que as expectativas não estão sendo correspondidas. Aquí você encontra os quatro erros mais comuns e o que fazer em cada situação.
Erro 1:  Permanecer muito tempo em um relacionamento (mesmo sabendo que não te faz feliz) …

Ao permanecer em um relacionamento que não está bom, você gasta toda sua energia em algo que não está totalmente relacionado com você. Infelizmente, ao permanecer em um relacionamento errado e que você não quer, todas as suas ações te levam a outro caminho.
Nesse momento, é muito importante a reflexão sobre o que você gosta e não gosta no seu relacionamento. Entenda os principais pontos que te afastam de um relacionamento feliz e entenda como falar esses pontos para seu(sua) parceiro(a). Depois faça uma reflexão e descubra porque não consegue terminar esse relacionamento: tem medo da solidão? Acha melhor com ele(a) do que sem ele(a)? A família o(a) adora e faz pressão para você permanecer com ele(a)? Acha que a idade está chegando e é melhor não arriscar?... Enfim, motivos são os que não faltam, mas NENHUM justifica continuar com alguém que não te completa e não te faz feliz.
Tome uma atitude para você. De um basta nesse relacionamento, já que não é o ideal, e escolha o que é melhor para você.
Erro 2: Tornar-se exclusivo(a) muito rápido…
Muitas pessoas cometem o erro de confundir o desejo de ser exclusivo com amor, quando na verdade acontece devido à insegurança. Em muitos relacionamentos esse pode ser o erro que gera o fim. Um casal é formado por duas pessoas, com interesses, culturas e criação distintas. Por esse motivo, a exclusividade por parte de um dos parceiros pode sufocar o outro.
Leva um bom tempo para conhecer alguém profundamente. Esse tempo é importante e necessário para saber como lidar com o(a) parceiro(a). Se ele(a) precisa de tempo sozinho(a), se às vezes quer sair sozinho(a) com os(as) amigos(as) não significa que não te ama. Mas significa sim, que para manter seu relacionamento saudável você vai aprender a lidar com isso. Caso contrário, pode ocasionar muitas brigas entre vocês.
Por fim, ao se tornar exclusivo(a) você vai se afastar dos(as) amigos(as) por preferir a todo momento estar com seu(sua) parceiro(a). Além do mais, você restringe as possibilidades de conhecer outras pessoas, e se a relação não funcionar, você se encontrará sozinha(o).
E não pense que esses problemas só acontecem quando um dos dois gosta de exclusividade. Na verdade, quando um relacionamento é baseado por duas pessoas que querem viver apenas para o outro, o resultado é a anulação e a perda de rodas de amigos. Uma das características mais importantes em um relacionamento é a interação com outras pessoas, a manutenção das amizades e a sua privacidade e autenticidade.

Erro 3: Ignorar os alertas do relacionamento

Todo relacionamento apresenta alertas, ainda mais no início. Mas o que são esses alertas? São como bandeiras vermelhas, que merecem sua atenção cuidadosa. São comportamentos e atitudes que você percebe em seu(sua) parceiro(a) e que não estão alinhados com seus princípios e o que você espera para sua vida. Podem ser desde pequenas atitudes como no caso dele(a) fumar e você viver fazendo campanha contra cigarro e não suportar o cheiro, até atitudes relacionadas a caráter, como subornar um guarda na estrada e você é super correta(o).
Sem uma análise mais profunda, essas pequenas atitudes podem passar despercebidas, se essa pessoa preencher todos os seus requisitos. Porém, se ele(a) possui hábitos não compatíveis, esse sentimento de contrariedade vai aparecer no futuro quando você possuir mais tempo e energia investida nesse relacionamento. Quanto mais tempo você investir no relacionamento, mais difícil será de mudar isso no futuro.
Portanto, antes de entrar de cabeça em um relacionamento, defina seus requisitos de caráter, atitudes e comportamentos que uma pessoa obrigatoriamente deve possuir para estar com você. Afinal, quanto mais você se conhecer, mais você saberá claramente que tipo de parceiro escolher para um potencial relacionamento. Identifique os alertas, que realmente não te agradam e confie em você. Não agarre um relacionamento apenas porque apareceu em sua vida, mas sim porque realmente vai te fazer feliz.
Erro 4: Definir expectativas irreais para você ou seu relacionamento …
A falta de conhecimento sobre as expectativas é uma das principais fontes de desapontamento e conflito. As pessoas apostam em um relacionamento duradouro e feliz como a solução de todos os problemas. Essa alta expectativa no relacionamento é programada profundamente em nós pelos pais, mídia e sociedade, principalmente no “e viveram felizes para sempre”.
O relacionamento pode falhar, pode não sair como você esperou e isso não é motivo para o fim do mundo. O que não é aconselhável é entrar em um relacionamento por um motivo de desespero, porque esse desespero pode ocasionar uma bola de neve. Alinhar as expectativas dos dois, saber o que cada um espera é o passo principal e fundamental para um relacionamento de sucesso. O iniciar um relacionamento dessa forma, sem alinhar expectativas, gera desapontamento, ansiedade para fazer o melhor, sentimento de “não ser bom(boa) o suficiente”. Então, porque sabotar seu relacionamento com expectativas irreais?
Ser realista requer possuir crenças programadas, e isso não é fácil. A chave é reconhecer que você e a outra pessoa são diferentes e indivíduos imperfeitos, mas capazes de aprender e crescer. Se você possuir a capacidade de aceitar as diferenças e imperfeições e ao mesmo tempo desenvolver comportamentos melhores, então seu relacionamento tem chance de ser um sucesso.
Identifique suas expectativas antes de entrar em um relacionamento. Depois, alinhe com seu(sua) parceiro(a) as expectativas para o relacionamento. Determine barreiras necessárias para que você se sinta amada e valorizada, quão próxima(o) você gosta de estar e o que espera para o futuro.
Não deixe a maré te guiar! Seja a(o) protagonista da sua vida e do seu relacionamento!"



Autoria: Carol Waldeck 






quarta-feira, 23 de março de 2011

E Tudo Tem Um Sentido


"Olhe para a pessoa com quem você se relaciona hoje em dia. Ou lembre-se da última. O sentimento de afeto ou amor não é o único motivo para você tê-la encontrado. Essa pessoa tem ou tinha algo que você ansiava, ou representa algo que lhe é familiar ou que se parece com você. É muito provável que seja uma mistura de ambas as coisas. Fora isso, ela tem características tão diferentes das suas que sempre há motivo para conflitos.


Independentemente daquilo que vocês viveram juntos, há um sentido mais profundo para sua aproximação: a outra pessoa ajuda você a encontrar suas respostas muito pessoais para duas perguntas básicas: 'quem sou?' e 'o que é o amor?'



"Você descobre muito mais sobre si mesmo no momento do estar junto, da troca e em todas as situações cotidianas com o outro do que seria possível aprender sozinho. Ou você começa a se amar e amar a própria vida porque o outro lhe mostra essa beleza e a incentiva, ou ele o tolhe por meio do seu comportamento e faz com que você , por fim, descubra sua própria força,
sua auto-estima e sua liberdade interior.


Todo o contato com outra pessoa tem um sentido:

- fortalecer o que já existe
- completar o que falta
- crescer na diferença
- e conhecer a si mesmo."




Autoria: Ruediger Schache
Livro: O Poder Invisível

Imagem:
www.realsimple.com

domingo, 20 de março de 2011

Dedo podre: por que há mulheres que só escolhem os homens errados?


Atrair sempre o mesmo tipo de homem tem motivo (e a culpa não é deles!)


"Você acha que não dá sorte com relacionamentos, pois escolhe sempre homens complicados para namorar? Ou não aguenta mais ouvir a melhor amiga reclamar de que só arruma sujeitos comprometidos, que só desejam uma aventura e nada mais? Antes de colocar a culpa no sexo masculino, avalie se não é você a culpada por essas escolhas. Para ajudá-la, ouvimos duas especialistas. A consultora Sandra Maia, autora dos livros "Eu Faço Tudo por Você e "Você Está Disponível", ambos da Editora Celebris, explica por que muita gente encara um romance problemático atrás do outro. E a jornalista e escritora Rejane Freitas, autora de Pare de Amar Errado (Matrix Editora), comenta sobre os perfis de homens com os quais, de fato, não vale a pena perder tempo. Compreenda melhor o que se passa pela sua cabeça
e livre-se da síndrome do dedo podre.

UOL - Por que algumas mulheres entram em uma relação problemática após outra?
Sandra Maia - Em primeiro lugar, porque confundimos tudo –amor com a distorção desse sentimento. Pensamento com confusão de sentimentos. Apego com aprisionamento. Achamos que o outro é como qualquer objeto que pode ser moldado. Depois, porque gostamos mais da relação e da adrenalina do que do outro ou de nós mesmas. Esse, geralmente, é só mais um objeto a ser conquistado.

UOL - Esse padrão começa na infância?
Sandra Maia - Sim, pois é na infância que formamos nossas crenças com base na percepção do que acontece à nossa volta, com nossos recursos de criança. Ou seja, fantasiamos, saímos da realidade e, então, formamos crenças errôneas que vão impactar todo o nosso desenvolvimento. Quando adultos, nós tendemos a repetir o que percebemos. Logo, se percebemos abandono, podemos escolher abandonar ou sermos abandonadas. Se percebemos rejeição, rejeitar ou sermos rejeitadas, e assim por diante. Passamos a viver em um círculo vicioso, algumas vezes doentio, que é impossível quebrar sem ajuda externa.

UOL - Existe um perfil típico dessas mulheres?
Sandra Maia - Não diria um perfil, mas um padrão de comportamento que escolhe se punir ou ser punida por algo que acreditou lá na infância. Isso parece complexo, e é! E, vale ressaltar, não somos só nós mulheres vítimas dessa confusão; muitos homens sofrem do mesmo mal. Daí a importância de um forte trabalho de autoconhecimento e de resgate da autoestima para, de uma vez por todas, abrir mão dessas crenças e, com os recursos do adulto que somos, fazer novas escolhas.


  • As escolhas da vida adulta são reflexos das vivências desde a infância;
    mas é possível mudar


UOL – Mas há um perfil típico da mulher que não consegue ficar sozinha?
Sandra Maia - Durante muitos anos, penso ter vivido exatamente esse papel. Eu entrava e saía de relacionamentos, até que duradouros, porque não conseguia sequer imaginar ficar só. E isso era tão dramático que qualquer companhia contava. Então, eu escolhia a dedo relações complicadas. Relações que não me faziam bem. Ao contrário, empurravam-me ainda mais para o fundo do poço. Eu imaginava que meus companheiros eram deuses, praticamente inalcançáveis. Assim, me submetia e tocava a vida para servir. Meu prazer era viver em função do outro. Isso está ligado à codependência e ao amar demais. E, então, ficar sozinha depois de uma ou duas relações não saudáveis, eu diria a você que é quase humanamente impossível.

UOL - E por que algumas mulheres só conseguem arrumar homens comprometidos?
Sandra Maia -Se eu tenho no inconsciente que relacionamento é negativo, é muito provável que não me relacione, certo? Pois é! Essa é apenas uma possibilidade. Posso escolher, por exemplo, me envolver com quem não está disponível e, dessa forma, manter-me protegida de qualquer relação. Essa pode ser uma saída, mas existem outras. Sempre lembrando: tudo gira em torno das crenças da infância e das formas como vamos nos defender para nos manter vivos. Brigar com esse inconsciente só será possível à medida que trouxermos à tona o que nos fez agir daquela forma quando pequenos. E isso demanda força, coragem, desapego, autoestima e ajuda.

UOL - E por que outras só conseguem arrumar homens mais dependentes, como desempregados ou imaturos, por exemplo?
Sandra Maia - Isso também está ligado à codependência, que é nociva para os dois –vítima e algoz. Ao fazer essa escolha, primeiro optamos viver para e pelo outro, ou seja, viver em função do outro. Então, quanto mais complicado o outro lado, mais vamos nos sentir ocupados e, por que não dizer, realizados. E, nesse caso, tudo também tem relação com ego, vaidade. Você já percebeu como essas parceiras ou esses parceiros especiais são perfeitos? São super-homens e supermulheres que, de algum modo –também inconscientemente–, se anulam para viver o sonho de outro e levam a relação com base no controle, na cobrança, no condicional.

UOL – Que dicas você sugere para ajudar quem deseja mudar esses padrões de comportamento?
Sandra Maia – O primeiro passo é buscar equilíbrio mental, espiritual e físico e manter-se emocionalmente saudável. Também é fundamental trabalhar o autoconhecimento e a autoestima, e tentar compreender o que a move. Outro conselho bem útil e ouvir quem está fora da relação. Se todos dizem: “É fria”, deve ser mesmo! Compreenda o seu padrão de comportamento para, então, a partir daí, iniciar a transformação. Além disso, escolha sempre com base no trinômio: bom, belo e verdadeiro.
Deixar de lado o medo, a ilusão e o ego ajuda bastante.

"Rejane Freitas, autora de "Pare de Amar Errado", lista algumas armadilhas que devem ser evitadas

1. Procure homens disponíveis, analisados, resolvidos, que já se definiram na vida. Você terá menos trabalho, mais prazer e não será tão difícil entendê-los. Lembre-se sempre: homens que não se acharam na vida e não se comprometem são os homens errados para amar.

2. Evite homens infelizes, confusos, com traumas, cheios de problemas e conflitos. Fuja também de sujeitos apaixonados por outra mulher e daqueles que estão vivendo um divórcio.

3. Existem homens que se acostumaram a ser solteiros e curtem isso. Não querem mais vida conjugal, casamento, cobranças, responsabilidades ou problemas de outra pessoa. Não querem abrir mão do conforto e da comodidade de cuidar apenas de si. Para esses homens, transas e casos são suficientes. Corra deles. Não será você a heroína que vai prender um homem assim, simplesmente porque essa mulher não existe.

4. Alguns homens são maravilhosos como namorados e amantes, fazem tudo pela felicidade da parceira, mas não são bons como maridos. Quando os papéis mudam e a vida conjugal entra em cena, perdem o interesse e a motivação, como se a vida a dois e o compromisso tirassem o tesão. Pule fora da relação antes que ele fira profundamente a sua alma.

5. Quando conhecer um homem e ele se interessar por você, controle o furor da paixão e ative logo o seu desconfiômetro. Pergunte-se, por exemplo, quem é esse cara que chegou assim do nada, de onde veio, que tipo de família tem, por que quer cair de pára-quedas na sua vida e que motivos você tem para cair na dele também. Questione se ele vai lhe fazer bem ou mal.

6. Ao envolver-se com um homem recém-separado e ele quiser logo juntar as escovas de dente, pise no freio. Dê tempo para ter certeza de que ele está seguro dos sentimentos em relação a você ou se está apenas precisando de uma companhia para superar a perda da ex-mulher. Se for este o caso, quando ele se equilibrar emocionalmente, você corre o risco de ser descartada. Recém-separado, o homem não sabe ficar só, mas, se gosta da ex, continuará indisponível emocionalmente."


Fonte:
HELOÍSA NORONHA
Colaboração para o UOL
http://estilo.uol.com.br/comportamento/ultimas-noticias/2011/03/20/dedo-podre-porque-ha-mulheres-que-so-escolhem-os-homens-errados.htm



segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Por Que Aceitamos Que Alguém Nos Trate Mal?



Certa vez, disse a Lama Gangchen Rinpoche:
"Desta vez quero olhar para a negatividade de frente. Não vou negá-la".

Ele, então, me respondeu:
"Olhar é bom, mas não a toque. É como quando você assiste ao noticiário na TV. Você vê a negatividade, mas não deixa que ela entre na sua casa. Você pode encarar a negatividade de frente, mas não deixe que ela entre na sua mente".

A maior parte das mensagens de nossa sociedade contém idéias destrutivas e negativas. Basta ligar a TV em qualquer noticiário para nos lembrarmos do quanto o mundo é perigoso.

Na tentativa de tentarmos nos proteger das ameaças cotidianas, vamos nos tornando acuados ou até mesmo igualmente perversos ao ambiente hostil que frequentamos.

Manter a mente limpa é um desafio que requer reflexão constante para não deixar as informações ou pontos de vista negativos de outras pessoas influenciarem nossa mente. Lama

Gangchen Rinpoche nos alerta:
"Não devemos seguir professores negativos ou comprar informações negativas no supermercado dos pensamentos".

Em outras palavras, Marie France Hirigoyen, autora do livro "Assédio Moral" (Ed. Bertrand Brasil) nos diria para reconhecermos as características dos comportamentos perversos para não nos deixar levar por eles.
No entanto, não é tão simples nem fácil reconhecer um comportamento perverso.

Marie France esclarece:
"Pequenos atos perversos são tão corriqueiros que parecem normais. Começam com uma simples falta de respeito, uma mentira ou uma manipulação. Não achamos isso insuportável, a menos que sejamos diretamente atingidos. Se o grupo social em que tais condutas aparecem não se manifesta, elas se transformam progressivamente em condutas perversas ostensivas, que têm consequências graves sobre a saúde psicológica das vítimas. Não tendo certeza de serem compreendidas, estas se calam e sofrem em silêncio".

Uma vez em que aprendemos a olhar os maus tratos como algo aparentemente normal, e, portanto, teoricamente aceitável, nem pensamos que seja possível e saudável nos desvencilharmos destes maus tratos!

Afinal, por que aceitamos que alguém nos trate mal?
Porque duvidamos de nossa própria sanidade mental. Neste sentido, saber de si, quer dizer, conhecer nossos potenciais, recursos e limitações é a base de nossa segurança interna. Todos nós já sabemos que vivemos num mundo hostil, mas é preciso saber como não cair nas armadilhas da hostilidade alheia. Precisamos nos encorajar o tempo todo a não seguir a negatividade, especialmente se estivermos cercados dela.

Assim como escreve Lama Gangchen Rinpoche, em seu livro
"Ngelso Autocura Tântrica III" (Ed Gaia):
"a única mensagem que recebemos dos outros é:
'Não me incomode'. Por isso, precisamos ter um forte refúgio interior, impenetrável às influências alheias".

Para melhor responder à questão "por que aceitamos que alguém nos trate mal?", vamos conhecer as artimanhas do comportamento de quem nos trata mal. Uma característica comum a todo comportamento perverso é impedir o outro de pensar, para que ele não tome consciência do seu processo de dominância - ele cria fragilidade a fim de impedir que o outro possa se defender.

Marie France Hirigoyen esclarece: "Entre casais, o movimento perverso instala-se quando o afetivo falha ou, então, quando existe uma proximidade excessivamente grande com o objeto amado. Excesso de proximidade pode dar medo e, exatamente por isso, o que vai ser objeto da maior violência é o que há de mais íntimo. Um indivíduo narcisista impõe seu domínio para controlar o outro, pois teme que, se o outro estiver demasiadamente próximo, possa vir a invadi-lo. Trata-se, portanto, de mantê-lo em uma relação de dependência, ou mesmo de propriedade, para comprovar a própria onipotência. O parceiro, mergulhado na dúvida e na culpa, não consegue reagir".

Por isso, aqui vai o primeiro conselho para impedir que alguém lhe faça mal:
Não aceite críticas unilaterais. Ninguém é totalmente responsável por uma situação-problema. Portanto, não assuma a 'culpa' toda para si crendo que desta forma poderia aliviar a tensão presente. Nestes momentos, nos ajuda lembrar que a origem do comportamento perverso está justamente no fato da pessoa não querer assumir a responsabilidade por seus atos. Portanto, ao assumir o que cabe ao outro, estamos nutrindo o seu comportamento hostil.

Outra artimanha do comportamento perverso consiste em recusar uma comunicação direta. Marie France Hirigoyen alerta:
"O parceiro vê-se obrigado a fazer as perguntas e dar as respostas e, caminhando a descoberto, evidentemente comete erros que são captados pelo agressor
para enfatizar a nulidade da vítima".
Portanto, se você percebe que anda falando sozinho num relacionamento a dois, está na hora de parar e perguntar-se se vale a pena ajustar-se a tal comportamento. Pois ele é autodestrutivo.

A esta altura, já entendemos que quem nos trata mal não está receptivo a conversar, pois isso significaria o fim do conflito, o que o impediria de extravasar a sua agressão. Portanto, é importante levarmos em conta os custos e benefícios de tal relacionamento. Neste sentido, ao invés de lamentarmos "Me solta!", podemos nos dizer: "Eu te solto!". Para tanto, teremos que nos tornar conscientes tanto de nossas limitações quanto de nossos recursos para, passo a passo, nos soltarmos da crença de que estamos presos a uma posição sem saída.

Ainda que os outros nos tratem mal, podemos nos tratar bem!Na medida em que cultivamos uma certeza interna inabalável de não querermos mais nos envolvermos em relacionamentos destrutivos, desenvolvemos amor e gentileza - uma energia positiva interior impede que nossos inimigos ou seres malignos nos causem mal, pois precisariam apoiar-se em alguma negatividade nossa para isso.

Assim como aconselha Lama Gangchen Rinpoche:
"A coisa mais importante do mundo é nunca abandonar nosso coração acolhedor, mesmo diante de uma ameaça de morte, pois esse é o nosso verdadeiro e eterno amigo".




Autoria: Bel Cesar
www.somostodosum.com.br/brlcesar
www.vidadeclaraluz.com.br


Imagem:
Internet


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ENAMORAR-SE...



"Na visão de alguns, o desejo de encontrar a pessoa certa para se relacionar, compartilhar e viver algo em comum, configura-se num pensamento cafona, fora de moda, ultrapassado, insano... Quase utópico de acontecer na era da Modernidade.

Já para outras um pouco mais convictas e esperançosas sobre esta questão, isto é a uma necessidade intensa, profunda e inquestionável. Representa uma das premissas básicas de sobrevivência a qual faz a vida impulsionar, revitalizar as forças, ganhar cores e sentidos, jamais possíveis de serem explicados.

É sentir uma das emoções mais latentes que um ser humano pode adquirir na vida. É estar condicionado a uma magia que não tem antídoto.No entanto, contrapondo este pensamento, os descrentes justificam essa situação com base na argumentação de que se envolver custa muito caro, pois é um caminho de ida sem volta.

A razão, na maioria das ocasiões, perde clareza, acaba evaporando de uma maneira volátil, sem explicação, e dá espaço - somente - para emoção. O lado psicológico se torna vulnerável demais e o controle que antes era contido, comedido e calculado... Fica totalmente indomável.

Isto nos permite chegar à idéia ou, talvez... um entendimento, de que estamos presos a uma cadeia de barreiras, redomas e correntes em função do nosso egoísmo, complexo de narciso e padrões culturais? (Creio que sim...)

Por isso, o enamorar-se, dentro das perspectivas destes descrentes de sentimento de amor, equivale um ato suicida a nossa imagem. Basta, lembrarmos que na atual conjuntura: é inaceitável - em hipótese alguma – emergir a possibilidade de sofrimento desencadeada
pelo outro.

Mas não somente isto, a própria pré-disposição em conceder e tolerar, já revela as dificuldades que temos de nos relacionar. Não queremos ser mais feridos ou machucados. A ilusão e a frustração, algo difícil de lidar, ficam como objetos guardados no fundo da gaveta, que procuramos não usar.

O fato é: os relacionamentos hoje em dia (se não foi sempre assim) são para quem realmente está disposto a viver a chance do erro ou do acerto, num tempo em que as coisas acontecem tudo muito rápido. Se o resultado será positivo ou não, teremos que apostar para conferir!"




Autoria: Alexandre Felice

Imagem:
www.growinggreatrelationships.com/