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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Por que temos tanto medo de amar?



"É incrível como criamos inúmeras maneiras de nos defender, de nos proteger do sofrimento. Creio que passamos a maior parte de nossas vidas criando novas e mais poderosas formas
de não nos expormos. Assumimos papéis, inventamos máscaras, palavras e trejeitos com um único objetivo: não sofrer.


Aprendemos, desde muito cedo, que o sofrimento chega quando estamos expostos, vulneráveis, abertos para o outro... e isso é verdade. E, assim, acreditamos que só há uma maneira de não sofrermos: nos fechando, nos defendendo, nos protegendo do outro... e isso é mentira! Simplesmente porque não
existe nenhuma maneira de não sofrermos.


Proteger-nos do outro é não demonstrar o que sentimos,
o quanto amamos; é não compartilhar, não “precisar”
(no sentido de admitir que desejamos intimidade com o outro).


No entanto, não nos damos conta de que enquanto nos protegemos, tornamo-nos reféns de nós mesmos, transformamos nosso próprio coração numa prisão.


Iludidos com a sensação de uma segurança que definitivamente não existe, abrimos mão da possibilidade de experimentarmos sentimentos imperdíveis! Podemos perceber que estamos
nos defendendo do amor quando usamos expressões como:
“eu gostaria que ele me desse mais carinho, mas não tenho que pedir isso!” ou “se ele não demonstra que me ama,
por que eu deveria fazer isso?”


O problema é quando norteamos nossa vida a partir do outro: “se ele não fizer isso, eu também não faço”, “se ele não disser, eu também não digo”, “se ele não demonstrar,
eu também não demonstro”! Poxa...
Que raio de contabilidade miserável é essa?


O amor não funciona desse jeito e, assim, continuaremos todos morrendo de solidão, carência, angústia e depressão!


Que tal começarmos a agir por nossa própria conta e risco?
Sim, amar é um risco, um enorme risco, mas que não inclui apenas o sofrimento. Neste pacote também está incluso o risco (absolutamente provável) de sermos correspondidos, amados, respeitados, queridos e tudo o mais que possa haver
de bom no exercício de compartilhar amor.


E aí as pessoas vêm com essa: “mas eu não estarei me desrespeitando se pedir amor, se der mais do que receber,
se me expor a esse ponto?”


E eu respondo com outra pergunta: O que é se desrespeitar?
Para mim, desrespeitar-se é fazer algo que você não gostaria
de estar fazendo ou, ao contrário, é não fazer algo que
você gostaria de estar fazendo.


Portanto, a pergunta mais importante é: o que você quer fazer? Compartilhar seu amor, dar carinho, pedir carinho, demonstrar
o que sente, falar sobre seus sentimentos?


Então, faça isso! Não desperdice sua vida à espera da
“permissão” do outro. Não meça a sua capacidade de amar
e de se expor e de se tornar vulnerável a partir do outro.


Assuma-se, admita-se e, sobretudo, acolha-se!
Vá se percebendo, abrindo-se aos pouquinhos, pedindo devagarzinho... porque assim fica
mais fácil reconhecer e respeitar seu limite.


E entenda por limite a “linha” que separa o seu desejo da sua verdadeira percepção de que já se deu o quanto gostaria de se dar. Porque, obviamente, não estou defendendo a idéia de que você passe a vida inteira se doando para alguém que não tem espaço
para te receber. No momento em que sentir que atingiu seu limite, aja com amor-próprio e recolha-se, para se dar a chance de compartilhar o seu amor com alguém que tem espaço para isso.


Enfim, minha sugestão é que paremos, de uma vez por todas, de justificar nossas atitudes
 (ou não-atitudes) a partir do outro.


Que possamos assumir, pelo menos para nós mesmos e se for o caso, que temos medo de sofrer e, por isso, preferimos não nos expor, não pedir, não demonstrar, não expressar e, tantas vezes, não amar...


Porque quando conseguirmos reconhecer
esse medo, certamente nos tornaremos mais dispostos e disponíveis para o amor.


Teremos compreendido, finalmente, que não-sofrer é impossível. Sofrer faz parte do processo de viver, é inevitável.


Mas não-amar talvez seja uma escolha ingênua e infantil, infelizmente feita por muito mais pessoas do que supomos.


A dica é: não desperdice sua energia e seu tempo
evitando a dor. Não seja refém de seus medos. Apenas aceite-os
e lembre-se de que cada um tem os seus; todos temos!


Aproveite sua vida amando tanto quanto desejar, tanto quanto sentir... e tenha a certeza de que nunca será “menos” por isso.


Muito pelo contrário, estará conseguindo ser o que todos nós desejamos: corajosamente amante!"








Autoria: Rosana Braga

Imagem:
paixaoeamor.com



Rosana Braga

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Deixe Aflorar Toda Sua Doçura


"Às vezes, fico me perguntando porque é tão difícil ser transparente... Costumamos acreditar que ser transparente é simplesmente ser sincero, não enganar os outros. Mas ser transparente é muito mais do que isso.
É ter coragem de se expor, de ser frágil, de chorar, de falar do que a gente sente... Ser transparente é desnudar a alma, é deixar cair as máscaras, baixar as armas, destruir os imensos e grossos muros que insistimos tanto em nos empenhar para levantar...

Ser transparente é permitir que toda a nossa doçura aflore, desabroche, transborde! Mas infelizmente, quase sempre, a maioria de nós decide não correr esse risco. Preferimos a dureza da razão à leveza que exporia toda a fragilidade humana.

Preferimos o nó na garganta às lágrimas que brotam do mais profundo de nosso ser... Preferimos nos perder numa busca insana por respostas imediatas a simplesmente nos entregar e admitir que não sabemos, que temos medo!

Por mais doloroso que seja ter de construir uma máscara que nos distancia cada vez mais de quem realmente somos, preferimos assim: manter uma imagem que nos dê a sensação de proteção...

E assim, vamos nos afogando mais e mais em falsas palavras, em falsas atitudes, em falsos sentimentos... Não porque sejamos pessoas mentirosas, mas apenas porque nos perdemos de nós mesmos e já não sabemos onde está nossa brandura, nosso amor mais intenso e não-contaminado...

Com o passar dos anos, um vazio frio e escuro nos faz perceber que já não sabemos dar e nem pedir o que de mais precioso temos a compartilhar... doçura, compaixão... a compreensão de que todos nós sofremos, nos sentimos sós, imensamente tristes e choramos baixinho antes de dormir, num silêncio que nos remete a uma saudade desesperada de nós mesmos... daquilo que pulsa e grita dentro de nós, mas que não temos coragem de mostrar àqueles que mais amamos!

Porque, infelizmente, aprendemos que é melhor revidar, descontar, agredir, acusar, criticar e julgar do que simplesmente dizer: ¿você está me machucando... pode parar, por favor!¿. Porque aprendemos que dizer isso é ser fraco, é ser bobo, é ser menos do que o outro. Quando, na verdade, se agíssemos com o coração, poderíamos evitar tanta dor, tanta dor...

Sugiro que deixemos explodir toda a nossa doçura! Que consigamos não prender o choro, não conter a gargalhada, não esconder tanto o nosso medo, não desejar parecer tão invencíveis...

Que consigamos não tentar controlar tanto, responder tanto, competir tanto... Que consigamos docemente viver... sentir, amar... "



Autoria: Rosana Braga

Imagem:
grupoespiritaesperancaeluz.blogspot.com



O Bem Sofrer


"Que todo mundo sofre, a gente pode imaginar.

Sinceramente, creio que não haja sequer um ser vivo nesta dimensão que não sofra.

Jesus Cristo sofreu, Dalai Lama sofreu, Bin Laden sofre, Angelina Jolie e Brad Pitt sofrem, Bill Gates sofre, Xuxa sofre, eu sofro e suponho que você também...

Então, esse danado de sofrimento tem de servir para algo de bom!

Mas depende de nós, de como reagimos à dor, de como encaramos
os momentos de angústia e aflição...

Aprender a transformar a dor em amadurecimento é uma tarefa que exige topete,
como diria minha avó!

E parto do princípio de que existem três caminhos para lidar com ela, sendo que apenas um deles pode nos conduzir a uma condição realmente válida: a transformação do sofrimento em consciência e, conseqüentemente, em felicidade:

1- Fingir que não estamos sofrendo, desconectarmo-nos da dor, vestirmos uma armadura e simplesmente não entrarmos em contato com aquilo que nos machuca e nos faz perceber o quanto não sabemos lidar com a situação e, portanto, o quanto ainda temos o que aprender...

2- Sofrer exageradamente, descabidamente, nos perdendo e nos desrespeitando; passarmos a implorar pela atenção e pela piedade do outro; ignorar nossa auto-estima e, por fim, mais do que nos despedaçarmos para depois nos recompor, permitir que a dor nos faça desmanchar, até que já não mais saibamos quem realmente somos...

3- Sofrer intensa e dignamente, até compreender e assimilar que a dor é um aprendizado, um amadurecimento, um convite ao mundo de gente grande; usar a dor para evoluir, fazer diferente, reconhecer nossas limitações e transcendê-las...

Claro que a terceira opção é a mais difícil; é como arrancar a ferida sem anestesia, porque não há remédio que alivie; é fundamental sentir o que há para ser sentido, sem mascarar, sem amortecer.

Sendo assim, só existe uma coisa a fazer: encarar a si mesmo e sofrer até que desabroche o grande ensinamento.

Eis aí a mais pura e eficiente sabedoria.

Todos os problemas resolvidos?

De forma alguma.

A vida é cíclica.

O universo é perfeito; e se aqui estamos para nos tornarmos melhores, haveremos de entrar no ritmo de uma dança que intercala alegria e tristeza, amor e indiferença, equívocos e acertos, dor e felicidade, num compasso que pede, enfim, cada vez mais felicidade e menos dor!

Como?

Estando atentos todos os dias.

Admitindo os erros e nos acolhendo.

Reconhecendo o crescimento e festejando.

Olhando para isso tudo do modo mais carinhoso que conseguirmos, sem desistir: o trabalho é de formiga, dia a dia, passo a passo, sem nunca parar...

É assim: a gente repete o erro várias e várias vezes, porque uma coisa é saber e a outra é sentir e fazer...

Primeiro a gente descobre que está fazendo errado; aí tenta fazer o certo, mas ainda não sente e erra de novo.

Até que, um belo dia, a gente acorda e pensa: por que é que estou fazendo isso desse jeito?

Cai a ficha, finalmente, e daí não tem mais jeito, a gente acerta, acerta, acerta...

Só que, num outro belo dia, algo acontece e a gente se fragiliza e quando vê, está lá, errando de novo.

E assim caminha a humanidade...

O segredo?

Acertar mais vezes do que errar, porque acertar sempre é impossível.

É por isso que o caminho não tem fim, porque a gente nunca sabe tudo...

Num dia, está lá em cima, noutro dia, lá em baixo...

É o paradoxo que nos dá a noção do que realmente desejamos...

Por essas e outras, mais do que se culpar ou se afogar em lágrimas deliberadamente, procure saber e sentir, viver e agir, amar e, a despeito dos inevitáveis enganos, tentar de novo e nunca desistir, porque o objetivo é ser melhor e ser feliz!"


Autoria: Rosana Braga

Imagem:
luso-poemas.net



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A Inteligência é Flexível



"Quanto mais endurecido e inflexível, mais fácil de se quebrar diante de fortes impactos. Esta teoria –fisicamente constatável– não vale apenas para os objetos, mas, sobretudo e cada dia mais, para o comportamento humano.

Num mundo onde os produtos são perecíveis e os desejos são fugazes, a flexibilidade destaca-se como meio de sobrevivência. É a chave para a resiliência e também mote para o sucesso, tanto na vida pessoal quanto na profissional.

Fácil assimilar quando entendemos que não dá para crescer na rigidez. O crescimento, por si só, é maleável, moldável e adaptável às novas medidas e aos novos formatos. Sendo assim, inteligente é quem aprende a metamorfosear.

É notório que no mundo corporativo, a busca é cada vez mais enfática por profissionais capazes não de aceitar as diferenças inerentes a uma equipe ou um departamento, mas –acima de tudo– de celebrar essas diferenças.

Já não basta evitar os conflitos. É preciso enxergar neles uma oportunidade de promover mudanças necessárias, evoluir e se tornar melhor justamente por causa do que lhe é adverso.

Há alguns anos, desenvolvendo pesquisas sobre o que chamo de Inteligência Afetiva, constatei como é latente a falta de flexibilidade nos dias de hoje. Isso me levou a debruçar sobre uma questão fundamental e esquecida na atualidade: a gentileza. Não descobri nenhum segredo; a evidência já estava aí, porém, adormecida: pessoas gentis são flexíveis... e poderosas! Este trabalho resultou no livro O Poder da Gentileza.

É incrível como ainda há quem aposte que investir nas relações humanas não é o comportamento mais eficaz para os que ambicionam altos cargos ou grandes fortunas. Estes, certamente, desconhecem o poder da gentileza.

O Movimento pela melhoria das relações interpessoais e da qualidade de vida através da gentileza (World Kindness Movement) –cujo representante oficial do Brasil é a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV)– declara que pessoas gentis são mais valorizadas no mercado profissional, já que a qualidade das relações, a integração entre os funcionários e as atitudes de gentileza são fatores que influenciam nos resultados finais e no aumento da produtividade da empresa.

A gentileza e, por conseqüência, a flexibilidade e a tolerância, têm ainda influência direta sobre nossa saúde mental, emocional e física. A falta desses atributos na vida diária tem causado prejuízos incalculáveis a todos. A Organização Mundial da Saúde estima, por exemplo, que em 2020 a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, seguida apenas das doenças cardiovasculares.

Qual é a razão para tamanha insatisfação? Estou certa de que, em última instância, não se trata de aumento de salário ou posição hierárquica. Trata-se da falta de reconhecimento pelo humano que há em cada um; da falta de qualidade na troca entre as pessoas; do distanciamento, da falta de intimidade e de confiança, da falta de afeto e disponibilidade, da inflexibilidade para com as próprias frustrações. Trata-se da falta de gentileza! É disso que se trata, pode apostar!

Portanto, embora as habilidades técnicas sejam imprescindíveis para as empresas, elas sabem que podem treinar um profissional para que se torne habilitado tecnicamente, assim como sabe que para ser agradável, simpático, flexível e gentil, é preciso que haja uma decisão pessoal.

As empresas podem sim motivar e incentivar seus colaboradores para a mudança de comportamento, mas ser gentil é essencialmente uma escolha do indivíduo. Tem a ver com as crenças e os valores que ele alimenta diariamente. Ou seja, a gentileza é um exercício diário!


7 Condutas Gentis e Tolerantes no Ambiente de Trabalho:

1) Aprenda a escutar.
Ouvir é muito importante para solucionar qualquer desavença ou problema.


2) Evite julgamentos e ações precipitadas.
Quando estiver nervoso, deixe para conversar mais tarde.


3) Peça desculpas.
Isso pode evitar conflitos maiores e salvar relacionamentos.


4) Valorize o que a situação e o outro têm de bom.
Perceba que este hábito pode promover verdadeiros milagres.


5) Seja solidário e companheiro.
Demonstre interesse pelo outro, por seus sentimentos e por sua realidade de vida.


6) Analise a situação.
Alcançar soluções pacíficas pode depender da compreensão da raiz do problema.


7) Faça justiça.
Esforce-se para compreender o outro e não para ganhar,
como se eventuais discussões fossem jogos ou guerra.




Autoria: Rosana Braga
www.somostodosum.ig.com.br/rosanabraga


Imagem:
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=08679