quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Vida Após a Morte será Tema de Tese na PUC de São Paulo"



- Sônia Rinaldi -



Por : Manoel Fernandes Neto


O assunto não tem nada a ver com religião, apesar de falar de vida após a morte. Sonia Rinaldi há mais de 20 anos pesquisa o assunto e prepara-se para um desafio hercúleo: Levar para um ambiente totalmente cético algo que comumente é tratado com crença. Ela vai defender, a partir deste ano, uma Tese de Mestrado na PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, intitulada “Transcomunicação: Interconectividade entre Múltiplas Realidades e a Convergência de Ciências para a Comprovação Científica da Comunicabilidade Interplanos”, com a qual pretende comprovar que após a morte do corpo físico a consciência sobrevive.

Essa consciência, segundo Sonia, classificada de vários nomes, mantém sua individualidade, história, aquisições morais e intelectuais, além de ter capacidade de comunicação com o mundo da matéria. Atualmente, como uma das coordenadoras do Instituto de Pesquisas Avançadas em Transcomunicação Instrumental, Sonia passa seus dias conectando aparelhos de gravação de áudio e vídeo, buscando contato com o que convencionamos chamar de “o outro lado da vida”. Para a pesquisadora, o fato deste tipo de abordagem adentrar o mundo acadêmico é uma conquista que só será percebida no futuro, mas que trará benefícios para toda a Humanidade: “É chegada a hora de sair da infância e encarar a realidade da nossa evolução contínua.”, diz Sonia.

Acompanhe a entrevista exclusiva concedida por Sonia Rinaldi ao editor da NovaE.


Após 20 anos de pesquisa, como a ciência clássica, baseada em conceitos da matéria, vem encarando o seu trabalho?
A Ciência, de forma ampla, está longe de se interessar. Uns tantos cientistas mundo a fora vêm trabalhando no sentido de documentar a realidade da sobrevivência após a morte. Porém, quer nos parecer que nenhum fenômeno é mais concreto e, portanto, suscetível de toda sorte de análises e investigação, como requer a Ciência -do que a Transcomunicação Instrumental ou seja, a comunicação com o Outro Lado da Vida através de gravações em computador e vídeo. Este ano de 2009 traz uma nova rota para nossa pesquisa, pois inicio Mestrado na PUC Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, justamente para levar a Transcomunicação ao meio acadêmico, coisa que jamais ocorreu na História. Veremos, daqui a uns anos, o que teremos conseguido.


Como foi o processo de aprovação de sua tese de mestrado, sobre este assunto tão avesso ao mundo acadêmico?
Chegaram a me chamar na PUC para eu mudar minha tese, mas não aceitei. Tenho premência em conduzir a pesquisa conforme a proposta, pois minha tese não será simples, propus uma mega-tese multidisciplinar, pois já considerei o fato de que eu, sozinha, seria inapta para comprovar qualquer coisa. Propus a participação de engenheiros, físicos e matemáticos todos com doutorado, para que sejam eles que avaliem, dentro dos parâmetros requeridos pela Ciência, que o fenômeno é real.
A minha parte é levantar a ocorrência do fenômeno a deles será endossar a autenticidade e – dentro das possibilidades , tentar explicá-lo.


Quem serão os maiores beneficiados com a comprovação científica da sobrevivência após a morte?
A meu ver, a própria Humanidade, que deixará de se enganar. É como se fosse chegada a hora de sair da infância e encarar a realidade da nossa evolução contínua.


Você pode explicar aos nossos leitores, em sua maioria, leiga neste assunto, o que seria a hipótese "sobrevivencialista" em contraposição à hipótese "psi"?
Quem é a favor da sobrevivência após a morte vê a coisa como sendo o ser humano composto de um corpo e uma alma, ou espírito. Na morte do corpo físico, esse espírito ou consciência, prosseguiria na jornada. Esse é o ponto de vista dos espiritualistas. Já uns tantos parapsicólogos acham que os fenômenos paranormais não são resultado de uma intervenção espiritual, mas sim, produto da própria mente de quem produz o fenômeno.
No caso da Transcomunicação, exaustivamente essa segunda hipótese fica descartada, por uma série de fatores que não arrolaremos para não nos estendermos. Mas sumarizamos dizendo que as Vozes que gravamos falam de coisas que ninguém sabia, dão nomes de pessoas, cidades de origem, etc., que o transcomunicador nunca ouviu falar. Filhos falecidos mencionam peculiaridades que só a família sabe, etc. Não há a menor possibilidade de ser produto da mente de alguém. Necessariamente, os contatos mostram que estamos em contato com seres que já partiram.


Como são realizadas suas experiências de gravação? Qual é sua rotina de pesquisadora?
Agora, com o Mestrado, tudo girará em função disso, e as gravações serão feitas para que os cientistas que participarão da Tese possam ter mais e mais elementos de estudo. Fora disso, vou continuar dando uma aula por mês de como gravar para as pessoas interessadas.


Nos workshops realizados por você, como as pessoas têm reagido ao contato com entes que se foram?
Na mesma linha desta questão, a saudade e a necessidade de um contato não podem prejudicar uma análise racional? Em todos os cursos (workshops) que damos, todos obtêm resultados de seus falecidos e aprendem a gravar. Não há como comprometer a interpretação, porque, ou a resposta está lá ou não está. Nossas gravações há anos são bem claras... não deixam margem de dúvida ou permita dúbia interpretação. Se a gravação/resposta não for clara, será descartada.


Quando se fala em "Vida Após a Morte", as pessoas fazem logo uma conexão com religião, que, no sentido clássico, vai na contramão da pesquisa científica. Como você lida com isto?
Religião que se esconde atrás de dogmas e não respeita a lógica deve estar com os dias contados. A globalização e o avanço tecnológico despertaram a racionalidade, e a visão setorizada tende a mudar. Ou algo é "verdade" ou não merece crédito. E tudo que é "verdade" tem que ser passível de análise e investigação. Há de chegar o tempo em que o ser humano dispensará supostas leis divinas, sejam lá quais forem, que não passem pelo crivo da lógica racional.
Considerando a hipótese sobrevivencialista, quais as diferenças deste contato em relação à psicografia, já que as gravações captam pequenas frases, às vezes com uma estrutura gramatical inversa, bem diferente dos livros mediúnicos, que são verdadeiros tratados, romances, com estruturas complexas... A diferença fica por conta de que tudo que não pode ser matematicamente investigado, fica excluído do interesse da Ciência. Até hoje, centenas de médiuns têm dado importante contribuição no sentido filosófico e social; porém, fica fora da possibilidade da comprovação da realidade disso. Já no caso da Transcomunicação, qualquer "alô!" vem com um peso incontestável diante dos olhos de um cientista. Por isso, penso que a Transcomunicação Instrumental é o veiculo mais poderoso para comprovar que se vive depois da morte, além, claro, de levar consolo a milhares de pessoas que sofrem com a perda de alguém querido.



Fonte:
www.consciencial.org


quinta-feira, 22 de abril de 2010

DIA DAS MÃES











Todo dia é dia das Mães


O espírito materno é algo que transcende o contato físico, é uma força invisível que nos acompanha durante toda nossa vida, é o elo que nos une ao princípio feminino, ao princípio criador da vida ao qual chamamos Mãe. Por isso todo dia é dia das mães. Autoria: Luis Alves, textos para o dia das mães


Imagem:
www.thesacredfeminine.com/card.htm




Força de mãe

"Teus braços sempre se abrem quando preciso um abraço. Teu coração sabe compreender quando preciso uma amiga. Teus olhos sensíveis se endurecem quando preciso uma lição. Tua força e teu amor me dirigiram pela vida e me deram as asas que precisava para voar."Autoria: desconhecida


Imagem:
www.shutterstock.com/.../pic.mhtml?id=10371724



A Mãe-Natureza (Gaia)

"A Mãe Natureza é a nossa Grande Mãe, é aquela que nos da vida, que nos permite viver. Nosso alimento vem da Terra, e a Terra nos abriga como um lar, é nosso lar. Quando estamos em meio á algum lugar natural (como uma floresta ou o próprio campo) podemos sentir a energia da Mãe nos abraçando e reconfortando,, ou mesmo senti-la de pé, numa simples grama de jardim ou planta que esteja feliz, com algum esforço para nos ligarmos há Ela...A Mãe Terra, Mãe Natureza, ou qualquer que seja o nome que lhe dermos, sempre vai estar lá, esperando a visita de seus filhos e filhas na sua casa. Esta casa é a própria Natureza, que podemos visitar quando quisermos. E é bom lembrar que é nosso dever respeitar a Terra bem como tudo o que nos é VITAL".




"AVATAR" -- Filme





"Avatar não é o patamar: uma reflexão (também) abolicionista"



"O filme Avatar (2009), de James Cameron, é uma história de ficção científica que se passa no ano de 2154 em Pandora, uma lua do distante planeta Polifemo, localizado em Alfa Centauri.

Uma expedição de seres humanos parte rumo à Pandora a fim de explorar um mineral precioso, ao qual Cameron deu o sugestivo nome de “unobtanium”. Mas a expansão da colônia de mineração – que conta com uma força de segurança paramilitar – ameaça a integridade física e o “meio ambiente” dos nativos humanóides locais, denominados Na´vi. Os Na´vi são belos seres de pele azul, medindo cerca de 3 metros de altura, que vivem em harmonia com a natureza. Para facilitar o contato com os Na´vi, cientistas terráqueos desenvolveram corpos híbridos chamados avatares (daí o nome do filme), que podiam ser controlados mentalmente por seus correspondentes humanos [1].A compleição dos Na´vi – embora estes possuam uma pele azulada e outros traços não humanos – me pareceu um tanto inspirada nos belos guerreiros Massai. Não sei se houve tal intenção, mas essa seria uma metáfora interessante, já que o continente africano é considerado como o “berço da humanidade”.

Impressões pessoais à parte, os Na´vi foram concebidos segundo nossos mais elevados padrões: são uma amálgama de humanos, em sua forma mais primeva, não corrompida, com super-heróis detentores de poderes e capacidades sobre-humanos, tais como um requintado senso (est)ético, grande força, destreza física e sensibilidade extra-sensorial. Talvez o traço físico mais emblemático desses semi-deuses, meio-ninjas, seja sua cauda. Mais do que meros órgãos dos sentidos, ou membros extras, suas caudas lhes permitem fazer conexões com outras dimensões e mundos, uma alusão, certamente, ao sentido de pertencimento a uma totalidade maior que perdemos, e, talvez, também, a uma espécie de “animalidade espiritualizada” que deveríamos desenvolver.

O tema do domínio sobre o outro, seja ele inter ou intraespecífico (como é o caso dos conflitos étnicos), se constitui no fulcro da história do filme: os Na´vi correm o risco de serem aniquilados por causa da exploração de um recurso natural supostamente valioso, assim como diversos povos – em contextos e épocas os mais variados – foram aniquilados ao longo da história humana no planeta Terra. Também no filme, as soluções pretensamente diplomáticas cedem lugar à truculência das guerras e outras formas de violência, sempre que tais táticas não são suficientes para atingir plenamente o objetivo em questão. A história humana na Terra sempre foi assim, recheada de episódios desse tipo. E mais recentemente, em termos históricos, o avanço de um modelo técnico avassalador – que reduz todos os fins a meios – fez com que o amargo fel inerente ao exercício dos “podres poderes” se tornasse ainda mais impalatável.

É interessante notar que os europeus, à época dos “descobrimentos”, viam os povos autóctones, de modo geral, como humanóides, sem alma. Semelhantes a nós, em algum sentido, sim, mas pertencendo a “outra espécie”, ou, pior, a uma subespécie. O filme reconta essa história-sem-fim, da conquista, da aculturação e do massacre dos povos ditos selvagens (agora das selvas de Pandora), por parte dos pretensamente civilizados.Nesse sentido, o filme é muito bem-sucedido. Traz uma mensagem claramente ecológica e anti-militarista. Enaltece a ideia de que o mundo orgânico pode sobrepujar a máquina, não apenas no sentido belicoso, mas também em termos de luta cotidiana pela sobrevivência. Ressalta o lado inteligente e autopoiético da arquitetura orgânica da natureza – que pode se recriar a todo instante – em contraste com o potencial destruidor engessado da técnica, tudo isso num cenário de extrema beleza.

De fato, é possível se inebriar com a profusão de cores e com a riqueza de formas apresentadas no filme, ponto positivo numa era de destruição da biodiversidade.Chamou-me a atenção o fato de a vida da cientista Dra. Grace Augustine (Sigourney Weaver), chefe do Programa Avatar, não ter sido poupada. Terá sido proposital? O que tinha Cameron em mente quando fez essa escolha? Ocorreu-me que, apesar de “cheia de boas intenções” [2], a Dra. Grace servia aos propósitos de um mundo expansionista, ganancioso e materialista – através do que Milton Santos e outros importantes pensadores denominaram de “tecnociência”.

A ciência nunca foi neutra. E tampouco a técnica moderna. Elas ajudam a construir o mundo como uma coisa e não como outra, como diz Postman em seu livro “Tecnopólio” [3]. É ainda emblemática a cena em que a doutora morre lamentando as coletas que não havia feito, e os aspectos de Pandora e dos Na´vi que não havia estudado. Isso é o que se espera de um bom cientista (sic), tanto quanto de um bom soldado: morrer cumprindo seu dever, sem questionar o quanto há nele de fundamentalismo e a que propósito está servindo. Trata-se de uma típica atitude decorrente do adestramento que a ciência hegemônica promove: uma devoção acrítica, que conduz a uma visão moldada por antolhos. Embora ela tenha sido honesta em sua atuação profissional – e até corajosa, quando percebe o rumo que o projeto está tomando – permanece por muito tempo um tanto anestesiada, encapsulada dentro de sua “verdade científica”.

A ciência newtoniana-cartesiana, “branca” e européia, de nosso mundo real, do aqui e agora no planeta Terra, não difere substancialmente da ciência, em tese, avançada, do ano de 2154. Não importa o quanto a técnica evoluiu, ou o quanto a ciência abriu novos horizontes. Tudo permanece dominado pela mesma matriz de racionalidade, uma razão instrumental. Teria Cameron sacrificado a cientista e poupado outras personagens “mais inocentes”, no que tange a herdar o Paraíso? Pessoas comuns e militares de baixo escalão podem ser, de fato, bem mais “inocentes” do que a média dos cientistas. Não se sabe, contudo, se essa foi a intenção de Cameron ao salvar suas vidas.

Ouvi alguns comentários de que o filme critica a técnica, mas a utiliza para atingir seus objetivos, como se isso fosse algo contraditório ou intrinsecamente ruim. Eu me permito discordar. O propósito da técnica, seu “telos”, ou “finalidade”, é o que importa nesse contexto. A questão não é negar a técnica moderna, mas fazer um bom uso dela. E esse foi, em princípio, um bom uso: mostrar um mundo de beleza e de sonhos que, em grande parte, são realizáveis. Entretanto, gostaria de discorrer, em seguida, sobre por que essa finalidade poderia ser bem mais nobre. Isso diz respeito às visões de mundo transmitidas pelo filme e não a questões de ordem estritamente técnica, ou seja, ao conteúdo e não à forma.Uma crítica abolicionista (entre outras).

O filme tem, porém, alguns diálogos e passagens cuja mensagem é dúbia, ou ambígua. Por exemplo, quando o coronel Miles Quaritch (Stephen Lang) diz que “Pandora é um lugar mais perigoso do que a Venezuela”, não fica claro se a mensagem é, “sim, a Venezuela é um lugar perigoso, cheio de “chaves” para o inferno”, ou se, justamente por ter sido dita por um “bandido”, trata-se de uma ideia que deve ser descartada.

O filme peca também por colocar, mais uma vez, um forasteiro, um ex-fuzileiro naval americano – Jake (Sam Worthington) – como o principal herói masculino da trama, embora ele seja apresentado como uma pessoa não muito brilhante, ou confiável: mesmo estando envolvido emocionalmente com os Na´vi, e, sobretudo, com a “mocinha” do filme – a jovem guerreira Neytiri –, Jake continua por bastante tempo seu traiçoeiro trabalho de espionagem. Poder-se-ia alegar que o lado bom disso é que mostra que uma pessoa absolutamente comum pode se transformar em alguém extraordinário. Ainda penso, no entanto, que a velha fórmula do forasteiro branco “civilizado” que se torna herói (a despeito de suas qualidades de caráter) reforça o etnocentrismo europeu como mensagem primária, mais do que possíveis outras leituras.

Mas a crítica que mais interessa ao movimento abolicionista está na relação que os Na´vi mantêm com os animais, apresentada como impecável em termos éticos. Todavia, à luz da ética abolicionista, fica evidente, em diversas passagens do filme, o viés bem-estarista da relação entre humanos (ou melhor, humanóides) e os outros animais. Ainda que tratados com respeito, e até reverência, prevalece uma relação de domínio sobre os animais não humanóides.

A predominância de uma visão bem-estarista não fica muito clara no início do filme em decorrência de passagens como a que Neytiri precisa abater um animal para salvar a vida de Jake, o “mocinho”. Ele lhe agradece entusiasticamente, mostrando um contentamento um tanto leviano, mas ela fica furiosa e diz que “não tinha nada de bom no que havia feito, que aquilo era só tristeza”. Até aquele momento, o filme prometia, em termos de quebra de paradigma, pois se tratava de uma questão de vida ou morte.No entanto, mais adiante, há uma cena que mostra o “mocinho” aprendendo a caçar um animal para fim de alimentação. O animal, depois de flechado, foi morto com rapidez e destreza, e Neytiri comenta que aquela era uma “morte limpa”, isto é, necessária. Minha esperança acabou ali. Esse posicionamento estaria correto em se tratando de povos caçadores-coletores, que não têm outras opções.

Mas se o filme é uma ficção, ou seja, não retrata a realidade de uma comunidade concreta de caçadores, Cameron poderia ter sonhado mais alto e elevado seu patamar no que se refere a uma relação eticamente correta com os outros animais. Poderia ter concebido os Na´vi como veganos. Ou então, ao menos, ter omitido a cena da caçada e, em seu lugar, ter exibido uma alimentação à base de cereais, frutas, etc, uma vez que a natureza exuberante de Pandora assim o permitiria. Mas ele acabou reafirmando a ética da caça-coleta como a prática mais elevada na relação “homem-animal”, desconsiderando o importante fato de que os espectadores pertencem, em sua esmagadora maioria, a sociedades industriais.

Cameron não teve a perspicácia de entender que somos ex-selvagens, que já deixamos para trás o território impositivo da necessidade para trilhar o caminho da liberdade em nossas escolhas dietéticas, estéticas, etc. E isso foi, em grande parte, possibilitado pela técnica!Já não basta toda a barbárie, sem precedentes históricos, a que estão submetidos os animais criados em confinamento? Tenho notícia de pessoas, não muito distantes do meu convívio, que ocasionalmente comem carne de caça e rotulam essa prática como algo “ecológico”. Imaginem se esse costume cruel e covarde cai no desejo de uma ampla parcela de humanos?

A banalização da caça será, talvez, o último e mais árduo golpe sobre os poucos animais que ainda vagam soltos em seus habitats naturais, já antropizados, fragmentados e limitados pelas atividades humanas.

Há outra passagem muito interessante na qual, para recobrar a confiança dos Omaticaya, clã ao qual pertencia Neytiri, Jake doma um Toruk, um poderoso predador alado – uma espécie de “rei dos dragões” – que só havia sido domado anteriormente por cinco nativos Na´vi. Sem entrar na discussão de que seria mais uma cena de rara bravura empreendida por um forasteiro [4], essa é, sem dúvida, outra passagem que expressa o domínio dos humanóides sobre a natureza, ainda que de forma elegante e sem violência.

De resto, é hábito dos Na´vi domarem outros predadores alados menores, também multicoloridos – os Ikran –, que fazem parte de um perigoso rito de passagem da cultura Na´vi. Tal rito de passagem reforça a ideia de uma natureza que deve ser domada (ainda que não dominada). Isso fica mais ostensivo quando pensamos que os Ikran (e o Toruk, ainda mais) são, em tese, predadores de topo. Acima dos predadores de topo estariam, assim, os humanóides. Pode parecer exagero pensar dessa forma.

Mas em termos de aprendizado, ou “currículo oculto” [5], pode haver uma realimentação e perpetuação de ideias perniciosas como naturalizar o uso de animais em ritos religiosos e outras situações.É interessante observar que a palavra religião está possivelmente ligada à palavra religare. Tais ritos de passagem têm, portanto, uma forte relação com as atitudes por meio das quais os humanóides estabeleceriam contato, ou ligação, com seu entorno e, por que não, com o divino. Mas tal contato, em nosso mundo terráqueo, subjuga outras formas de vida, perpetuando o especismo. E o filme Avatar, nesse sentido, acaba perpetuando o paradigma dominante.

Comentei anteriormente o aspecto positivo de se enaltecer o mundo orgânico, mas isso pode manter, ou mesmo aprofundar, a dicotomia orgânico versus máquina. E, pior, pode dar a entender que os animais – vistos como meios e não como fins, evidentemente – cumprem um importante papel no caminho para a sustentabilidade. Tal ideário se cristaliza facilmente em ideias como, por exemplo, recorrer à tração animal para melhorar a qualidade do ar em cidades e, mesmo, minimizar o Efeito Estufa [6].

A postura maniqueísta homem x máquina, ou seja, a ausência de uma apropriação eticamente correta da técnica, anda lado a lado com o antropocentrismo (e o especismo), pois derivam de uma mesma racionalidade mecanicista. Precisamos ultrapassar essa dicotomia. A mesma técnica que cria, destrói: “A mão que toca um violão, se for preciso, faz a guerra, mata o mundo, fere a terra” [7].

A técnica tem mesmo um viés ideológico, como argumenta Postman. Mas é justamente por esse motivo que precisamos nos apropriar dela politicamente: que mundo construimos com nossas escolhas técnicas? Cavalos não são máquinas insensíveis que desconhecem o cansaço e as rotinas enfadonhas. A técnica deve libertar os seres sencientes do esforço físico brutal e das tarefas robotizadas ou perigosas.

Os animais não humanos têm, sim, um papel importantíssimo na construção de um mundo mais sustentável. Mas, para tanto, teríamos que vê-los como sujeitos de direitos – como fins e não como meios – e aquilatar o quanto o veganismo pode contribuir nesse sentido [8].(...) Em Avatar inexiste um potencial revolucionário porque a relação bem-estarista humanóides-animais é apresentada como uma meta final.

O “bom selvagem” de Jean-Jacques Rousseau parece ser o patamar. Não se contextualiza tal postura ética, o que acaba obstruindo o caminho para uma verdadeira transformação paradigmática. A relação humanóide-animal no filme é marcada, por conseguinte, pela ausência de um viés ético-epistemológico revolucionário, no sentido de construir um ideário contra-hegemônico, embora a natureza não seja vista como uma parte produtiva do todo (característica muito presente nas vertentes ecológicas rasas).Além disso, o uso de animais para montaria, seja em terra, seja no ar, perpetua a premissa especista de que os animais devem se submeter aos superiores antropóides e devem lhes servir, que isso é justo e “natural”, bastando apenas tratá-los bem.

No filme, a conexão entre as bestas e os humanóides se faz mediante uma espécie de penacho neural situado na extremidade da cauda desses últimos. Tudo isso lembra, em muito, as domas “humanitárias”, que nada mais são do que uma forma de trair a confiança dos animais [10].

Apesar de o filme evidenciar que a morte não limpa de um animal é algo lamentável, estes são convocados e até se “alistam” voluntariamente, por contato telepático, para a batalha na defesa de Pandora. Essa é, mais uma vez, uma questão controvertida, porque, se, por um lado, estão defendendo sua condição de vida, quem mais precisa da ajuda são os humanóides. As pobres bestas sempre são vítimas dos excessos dos humanos, aqui na Terra, e, em Avatar, essa situação se repete, ainda que de forma muito menos ostensiva.

O ideário do filme oscila, então, entre a ecologia profunda e a ecologia rasa, na medida em que admite uma conexão entre todos os elos da cadeia viva, e destes com os componentes abióticos do sistema, mas ainda mantém um ranço antropocêntrico (ou “humanóidocêntrico”) ao não promulgar o abolicionismo animal.Tudo isso deixa clara a nossa responsabilidade, a importância da nossa vanguarda abolicionista.

Cameron não pensou de forma abolicionista porque esse não é o modo de pensar dominante em nosso mundo. Nós mesmos não pensávamos assim anos atrás.

A questão é, portanto, como fazemos para chegar à Hollywood? Será tão difícil quanto vem sendo chegar às escolas?Outros filmes que tratam, mesmo que de forma indireta, da relação seres humanos-animais como relação sociedade-natureza, estão chegando (por exemplo, Lobisomem – 2010, de Joe Johnston). E outros já chegaram. Em New Moon, de Chris Weitz [11], os nativos viram lobos, enquanto os vampiros são de origem européia (à exceção de um, negro, que, por sinal, não era um “mocinho” entre os vampiros…).

Não sei se já estamos tão emocionalmente calejados em nossa seara abolicionista que começamos a ver fantasmas onde estes não existem. Mas a visão de mundo que para mim ficou foi a de uma apologia ao antropocentrismo e ao etnocentrismo europeu, e à perpetuação da dicotomia cultura-natureza: os homens-lobo, mais instintivos e rudes, de um lado, e os elegantes e cultos vampiros que nunca deixam sua “animalidade” tomar conta de seu corpo físico, de outro.

O filme promove ainda um desserviço à causa animalista na cena em que uma vampira chique (e “boazinha”) comenta, em tom de desprezo e sarcasmo, que pode sentir o cheiro dos “vira-latas” (lobisomens) por perto, reforçando assim o inoportuno preconceito contra os cães sem raça definida. Vale destacar, entretanto, uma personagem. Trata-se de um vampiro que controla seu instinto de tomar sangue.

A analogia com o veganismo poderia ser explorada porque, em ambos os casos, trata-se do domínio de uma natureza interior que tem como meta uma causa altruísta.Então: como fazemos para chegar a Hollywood?

O filme Avatar promete ser um enorme sucesso de bilheteria [12]. Isso é muito mais educação (ou deseducação) do que podemos fazer em nossas vidas cotidianas, em nossas salas de aula sem 3D ou efeitos especiais".




Fonte: Tao do Bicho – Paula Brügger
http://www.anda.jor.br/?p=49647

Imagem: Internet


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Uma Força Poderosa...



"Se estamos verdadeiramente comprometidos com a realização do nosso sonho,

descobriremos que existe uma força poderosa que está além de nós

e de nossa vontade consciente,

uma força que nos ajuda no caminho, alimentando nossa busca e transformação".





Autoria: Joseph Jaworski

Imagem: Internet


quarta-feira, 7 de abril de 2010

A Dor de Cada Um



Cada um traz consigo uma certa dose de mistério. É o jeito de cada um. São peculariedades que tornam cada sr humano um ser único, com reações próprias, com especificidades que vão do gosto ao desgosto, do sorrir ao chorar. Na verdade ninguém é igual a outrem, inclusive na forma de sentir sua própria dor. Existe a dor de cada um.

Todos temos diferente graus de sensibilidade. Nem sempre os que estão perto de nós entendem as razões e a intensidade de nossa dor. São sentimentos muito íntimos, são experiências muito pessoais.

Os fatos da vida ganham ou perdem sentido quando afetam a nossa sensibilidade. Por isso mesmo, ainda que haja uma massificação do sofrimento, como ocorre nas tragédias coletivas, ainda assim existirá a dor de cada um. Às vezes numa mesma casa, sob um mesmo teto, um chora e outro ri, ou numa mesma cama, sob o mesmo lençol um dorme em paz e o outro agoniza em dor. Daí conhecer alguém em profundidade, é acima de tudo, entender a voz do coração, que muitas vezes, é exteriorizada pela linguagem das lágrimas.

Os relacionamento mais significativos como maridos e esposas, pais e filhos, amigos e namorados deixam marcas profundas em nós inclusive de sofrimento. Toda relação positiva exige um respeito para com a dor do outro. Esse respeito se dá quando não menosprezamos as lágrimas de alguém e tentamos entender as razões de seu sofrimento.

A dor de cada um é também a maneira como individualmente expressamos nossas frustrações, amarguras, desencantos, perplexidade, tristezas e lamentos. É uma forma bem humana de rejeitarmos a dor, é uma maneira corajosa de revelarmos nossa interioridade. Estranhamente também a dor é uma espécie de combustível para a vida. Uma força que nos obriga a olhar a olhar sempre para a frente, com os olhos da esperança. é o aprendizado, silencioso de quem valoriza suas próprias lágrimas.

As grandes perdas, o luto, as enfermidades, o término de relacionamentos, as ingratidões, as tragédias, enfim as experiências dolorosas da vida acabam injetando em nós a vontade de viver, o desejo de superação. É a dor como semente de vida.

Na experiência da dor Deus se revela como amigo fiel, trazendo consolo, proteção e fortaleza. Ele é o socorro bem presente na angústia. Por ser o Pai de todos, Ele está sempre presente na
DOR DE CADA UM!




Autoria: Pr. Estevam Fernandes de Oliveira
Texto e Imagem (Internet) enviados por: Aliene


quinta-feira, 25 de março de 2010

Oficialmente Velho





Neste mês de dezembro completo 70 anos: diz Leonardo Boff.
Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida.
Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira.Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas.

De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.Mas há um outro lado, mais instigante.A velhice é a última etapa do crescimento humano.

Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino.

Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer e, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer; quando então entramos no silêncio e morremos.

A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer.Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "NA MEDIDA QUE DEFINHA O HOMEM EXTERIOR, NESTA MESMA MEDIDA REJUVENESCE O HOMEM INTERIOR"(2Cor 4,16).

A velhice é uma exigência do homem interior.Muitas vezes perguntamos:
Que é o homem interior?
O homem interior é o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Identidade esta que devemos encará-la face a face.Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe.

Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis:
Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, (inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano), submetido ao "silêncio obsequioso" e outros papéis mais.

Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Quando então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos:
Afinal, quem sou eu?
Que sonhos me movem?
Que anjos que habitam?
Que demônios me atormentam?
Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério?

Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior e a resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.Este é o verdadeiro desafio para a etapa da velhice.Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina.

Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria.É ilusão pensar que esta sabedoria vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.

Por fim, o que importa preparar o grande Encontro.
A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte.
Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia.
Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.

Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade".

Por fim, este jovem ancião alimenta dois sonhos:
o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue;
e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:"eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver".
Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus.Parafraseando Camões, completo: Mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.




Autoria: Leonardo Boff

Publicado no Recanto das Letras em 12/04/2009
Código do texto: T1535809

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Imagem: Internet


Provas Científicas Para A Comunicação Telepática Entre Seres Humanos e Animais



“Na unidade tudo tem um propósito.
Não há enganos, desvios nem erros.
Há apenas as coisas que os humanos não compreendem.”
(Regal Black Swan)



"A comunicação entre espécies pode ser comprovada cientificamente?
Sim, há diversos trabalhos nessa área, mas quero citar aqui o biólogo inglês Rupert Sheldrake que, de forma simples e brilhante, trouxe comprovação científica para esse trabalho.
Sheldrake é mais conhecido por ter criado a “Teoria dos Campos Mórficos”, que descreverei a seguir de forma resumida.

Caso você tenha interesse pelo assunto e queira aprofundar-se nele, há muito para explorar em seus livros, todos em linguagem simples e acessível ao leitor leigo.
Os campos mórficos são campos de energia que envolvem os seres com relação afetiva entre si. Dentro desses campos de energia pode circular todo tipo de informação, e essa circulação é independente de tempo e de espaço.

Como as relações de afeto podem formar-se entre todos os tipos de seres, por exemplo, entre seres humanos e animais ou entre seres humanos e plantas, isso resulta na possibilidade de comunicação entre espécies, que acontece dentro dos campos mórficos.

Até há pouco tempo isso era considerado ficção, e é surpreendente observar com que rapidez nosso mundo está mudando. Não apenas Sheldrake lida com esse tema, mas também cientistas de diversas áreas, como os físicos modernos que formularam a teoria da complexidade e a física quântica. Eles falam sobre a dinâmica não linear e nos trazem uma nova visão da realidade, que vem substituir, em diversas disciplinas, a visão de mundo mecanicista e cartesiana.

Não é meu objetivo entrar na área científica em profundidade, mas sim mostrar que a comunicação entre espécies é comprovada até do ponto de vista científico, já que este é um dos principais questionamentos que muitos acadêmicos e pessoas com raciocínio linear apresentam, invariavelmente.

Rupert Sheldrake, em seu último livro A sensação de estar sendo observado – E outros aspectos da mente expandida, escreve sobre o ceticismo: “A palavra ceticismo vem do grego sceptic, que significa indagação ou dúvida, e não negação ou dogmatismo”.
Ele diz que é mais científico explorar fenômenos que não compreendemos do que fingir que não existem. Também diz que é menos amedrontador reconhecer que a telepatia faz parte da nossa natureza biológica e é compartilhada com muitas outras espécies animais do que tratar o assunto como estranho ou sobrenatural.
Isso porque ele pensa que o ataque de muitas pessoas àqueles que fazem experiências com a telepatia é baseado, entre outras coisas, num medo arcaico da bruxaria.

Os fenômenos tidos como sobrenaturais, tais como a telepatia, na verdade violam tabus muito poderosos. Um desses é a crença de que a mente nada mais é do que uma atividade do cérebro. Essa crença é quase inquestionável para muitas pessoas e, com tal informação rígida dentro de nós, fica bem mais difícil abrir-nos para a comunicação telepática.

O que Sheldrake sugere não é que o cérebro seja irrelevante para o nosso entendimento da mente. As mentes habitam nossos corpos e os cérebros especificamente. O que ele sugere é que a mente não está confinada ao cérebro, mas que atua além deste. Essa extensão ocorre por meio dos campos mentais, os quais existem tanto dentro quanto fora do cérebro.

A ideia de campos em volta do corpo é familiar para nós. Por exemplo, o campo gravitacional da Terra estende-se muito além da superfície da Terra, permitindo que os satélites e a Lua façam sua órbita em torno da Terra.

Os campos magnéticos, assim como o campo elétrico e o gravitacional, são invisíveis, mas são capazes de ter efeitos a distância, como a comunicação a distância ou comunicação telepática.
Da mesma forma, Sheldrake afirma que nossos campos mentais não estão confinados dentro de nossas caixas cranianas, mas estendem-se além delas. Sugere que nossa atividade mental depende de campos invisíveis que também podem produzir efeitos a distância!

Talvez vocês já tenham ouvido falar do “princípio do centésimo macaco”, descrito por Lyall Watson no livro intitulado Lifetide: the biology of consciousness” (pode ser traduzido com “Onda da vida: a biologia da consciência”). Watson descobriu que, quando um grupo de macacos aprendeu certo comportamento numa ilha do Japão, ao mesmo tempo, em outras ilhas sem comunicação possível com essa primeira, outros grupos de macacos começaram a ter o mesmo tipo de comportamento!

Esse caso vai ao encontro do que expliquei em relação aos campos mórficos: qualquer sistema mórfico, neste caso o dos macacos, pode entrar em sintonia com sistemas similares, neste caso o dos macacos que estão na outra ilha. Por meio desse processo, cada macaco contribui para uma memória coletiva da espécie.


“O reconhecimento de que nossas mentes vão além dos cérebros nos liberta. Não estamos mais presos aos limites das nossas caixas cranianas, com mentes separadas e isoladas umas das outras. Não estamos mais alienados de nossos corpos, do nosso ambiente e das outras espécies. Estamos todos interconectados com tudo o que existe.”
(Rupert Sheldrake)


Por meio dos campos de percepção, nossas mentes alcançam os objetos que estamos olhando. Assim sendo, deveríamos ser capazes de influenciar as coisas simplesmente olhando para elas.
Será que é possível? O melhor ponto de partida para essa conversa é pensar sobre os efeitos de olhar para outras pessoas, como Sheldrake mostra em seu último livro. Ele demonstra que podemos saber quando alguém está nos olhando mesmo que estejamos de costas para a pessoa que nos olha!

A telepatia, assim como a sensação de estar sendo observado, só é algo paranormal se aceitarmos como normal a teoria de que a mente está confinada dentro do cérebro. Mas, se aceitamos que nossas mentes podem alcançar além do cérebro e podem conectar-se com outras mentes, então, fenômenos como a telepatia e a sensação de estar sendo observado são normais. Não é mais algo esquisito, à margem da psicologia humana, mas uma parte de nossa natureza biológica".





Comunicação Entre Espécies
Sheila Waligora

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